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Socialista Diana Santos sugere a colocação de um cobertor de papa na rotunda de Maçainhas mas Sérgio Costa diz que «medidas figurativas não nos levam a lado nenhum»

A decisão do Tribunal de Lisboa de absolver a dirigente da associação “O Genuíno Cobertor de Papa”, Maria do Céu Reis, que conseguiu provar durante o julgamento que «imensos consumidores foram enganados com um produto que falsamente designavam de cobertor de papa e que não passava de uma fraude», mereceu algumas referências na reunião de Segunda-feira do executivo municipal da Guarda, tendo a socialista Diana Santos, que assumiu pela primeira vez a função de vereadora em substituição, sugerido a colocação de um cobertor de papa na rotunda de Maçainhas, onde já existe uma máquina têxtil, e também que a localidade fosse promovida como uma freguesia produtora daquele produto artesanal. Aproveitou para alertar que a autarquia «continua a ter nas suas ofertas institucionais um cobertor que não é o autêntico e apelar à promoção e ao devido respeito por quem produz este produto artesanal e secular».

«Medidas figurativas não nos levam a lado nenhum», respondeu o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, questionado pela comunicação social sobre as sugestões apresentadas pela vereadora do PS sobre o cobertor de papa. Na sua opinião, o que é importante é adoptar «medidas palpáveis», tendo recordado que o município celebrou o ano passado um protocolo com a associação, com vista a «ajudar à manutenção desta arte». Relembrou ainda que há cerca de um mês foi aprovada na reunião de câmara a adesão do município à associação Qualifica «para ajudar a esta e a outras certificações». «É este o caminho que deve ser feito, sem demagogias, sem larachas para o ar, para ajudarmos à verdadeira sustentabilidade daquilo que são as nossas artes tradicionais», frisou.

No decorrer da reunião de Segunda-feira, o vereador social-democrata João Prata sugeriu que a autarquia «suportasse totalmente os encargos com a certificação» do produto artesanal e defendeu que era «importante que fosse concluída a “Carta da Paisagem”», que visa caracterizar e valorizar os bens culturais imateriais do concelho. De recordar que a elaboração da “Carta da Paisagem”, iniciada em 2020, ainda durante a presidência do social-democrata Carlos Chaves Monteiro (actual presidente da Junta de Freguesia da Guarda), tinha a coordenação do antropólogo Paulo Lima e tinha como objectivo o registo e inventário do Património Cultural Imaterial, como está definido na Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adotada pela UNESCO em 2003 e ratificada por Portugal em 2008. O projecto, que consistia na realização de um trabalho de recolha no terreno de caracterização dos bens culturais imateriais das 43 freguesias do concelho, entre os quais o cobertor de papa e a cestaria de Gonçalo.

A criação da associação “O Genuíno Cobertor de Papa” não agradou a toda a gente e a sua presidente foi alvo de um processo jurídico

Como o jornal “Todas as Beiras” noticiou na semana passada, a Associação “O Genuíno Cobertor de Papa”, que nasceu em Maio de 2018 em Maçainhas, concelho da Guarda, tem lutado pela preservação de um produto tradicional, feito em pura lã, que durante muitos anos representou o sustento de muitas famílias. Mas o surgimento desta associação não foi do agrado de todos e a sua presidente, Maria do Céu Reis, foi alvo de um processo no tribunal, que só veio ficar concluído ao fim de seis anos. Disso dá conta a dirigente num texto publicado na página oficial do Facebook da associação.

«Foram 6 anos, em tribunal, num processo em que o que estava em causa, era a defesa do Cobertor de Papa genuíno, o património mais identitário da Guarda», refere, acrescentando que «foram 6 anos como arguida, muitas idas ao tribunal a Lisboa, no meio de tempestades, com imensos afazeres: participação em feiras e certames, recebendo visitas, produzindo cobertores, preparando e expedindo encomendas, comprando materiais, tratar de logística, a vários níveis, cumprimento de obrigações fiscais e institucionais, deslocações ao estrangeiro». Foram, salienta, «imensas situações» que foi resolvendo «com muito esforço e trabalho» e conseguindo estar disponível e «fazer acontecer cultura».

«Fez-se justiça e a verdade venceu, tendo sido provado que imensos consumidores foram enganados com um produto que falsamente designavam de cobertor de papa não passando de uma fraude e um ataque despudorado ao nosso património e à verdade factual. Sempre acreditámos neste desfecho porque somos autênticos, nada temos a esconder e sempre dissemos a verdade, o que foi reconhecido e considerado provado, pelo tribunal», informa Maria do Céu Reis.

A dirigente admite que não sabe «o que o futuro reserva», mas assegura que defenderá «sempre este património genuíno» que faz parte da «identidade territorial» e da «forma de ser e estar» das gentes de Maçainhas. E aproveita para agradecer a quem testemunhou em sua defesa: «Paula, Íris, sr. Armindo e Jorge». Não esqueceu também de agradecer ao seu advogado.

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