A inexistência de qualquer referência à candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, os rasgados elogios à Covilhã, que também está na corrida à conquista desse título, e a anexação do rosto do presidente da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) faz com que, quem veja a publicação do Município covilhanense, fique convencido que o apoio da CIMRBSE à candidatura daquela cidade é exclusivo. Depois do jornal “Todas as Beiras” ter feito referência à publicação da Covilhã é que o principal rosto da Comunidade Intermunicipal, Carlos Condesso, veio esclarecer que o texto, assinado por si, vem de encontro ao que foi deliberado numa das reuniões do Conselho Intermunicipal da CIMRBSE.
Certo é que nada disto ainda tinha sido divulgado publicamente. No próprio site da instituição, em que estão publicadas as principais decisões do Conselho Intermunicipal, nada constava sobre isto. Só hoje é que foi dado a conhecer essa decisão, através de um comunicado a esclarecer a situação, confirmando que a deliberação foi tomada «em reunião ordinária do Conselho Intermunicipal, a 11 de Agosto de 2026, após análise dos pedidos efectuados pelos municípios da Guarda e Covilhã, a solicitar uma carta de conforto/manifesto de apoio à candidatura para Capital Portuguesa da Cultura 2028».
Nesta nota informativa da Comunidade é ainda referido que no dia 18 de Agosto o presidente da CIMRBSE «comunicou via email a cada um dos municípios (Guarda e Covilhã) essa deliberação com o envio de uma carta conforto/manifesto de apoio institucional a cada uma das candidaturas». E acrescenta que «a divulgação pública dos apoios manifestados pela CIMBSE às Câmaras Municipais que estão a preparar as suas candidaturas, bem como o timing e a estratégia da sua divulgação, depende única e exclusivamente dessas autarquias e não da CIMRBSE». Só que, o facto de o texto do presidente daquela comunidade não fazer qualquer referência a mais nenhuma candidatura e ainda por cima estar associado o rosto de Carlos Condesso, induz em erro quem o leia.
Diferente situação ocorreu com a Entidade Regional Turismo do Centro. Por precaução, no texto, assinado pelo presidente, Rui Ventura, está claro que «a Turismo Centro de Portugal manifesta o seu apoio à candidatura da Covilhã, à semelhança do que sucede com as demais candidaturas dos municípios da Região Centro, reconhecendo em cada uma delas uma oportunidade para valorizar a identidade, a diversidade e a afirmação cultural de toda a região». «A atribuição deste título a uma cidade da Região Centro constituirá uma oportunidade para projectar a riqueza e a diversidade cultural da região, dando maior visibilidade aos seus agentes, as suas comunidades e às diferentes expressões da sua identidade. Será também uma oportunidade para atrair novos públicos, reforçar a ligação entre cultura e turismo e gerar impactos económicos e sociais com expressão regional», escreve Rui Ventura. De recordar que, nesta corrida a Capital Portuguesa da Cultura, estão nove municípios, quatro dos quais fazem parte da área abrangida pela Turismo Centro: Covilhã, Guarda, Leiria e Óbidos.
Covilhã aposta fortemente na promoção da candidatura
O Município da Covilhã continua a apostar fortemente na divulgação dos apoios à candidatura a Capital Portuguesa da Cultura e a anunciar publicamente os crescentes apoios de diversas personalidades, entre as quais, do actor Ruy de Carvalho, da reitora da Universidade da Beira Interior (UBI), Ana Paula Duarte, do compositor e músico João Gil. Depois de Quarta-feira ter publicado na página oficial da autarquia um “testemunho” do presidente Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), no dia seguinte foi a vez de surgir um texto de Rui Ventura, presidente da Comissão Executiva da Turismo Centro de Portugal, acompanhado da sua fotografia e com os dizeres “Apoia a candidatura”.
Texto de Carlos Condesso, presidente da CIMRBSE, publicado na página do município da Covilhã
«A candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura 2028 representa uma afirmação clara da capacidade dos territórios do Interior para criarem, inovarem e ocuparem um lugar central na vida cultural do país.
A Covilhã reúne uma identidade singular, construída a partir da sua história, do património industrial e da tradição dos lanifícios, mas também de uma dinâmica contemporânea fortemente ligada às artes, à criatividade, ao conhecimento e à inovação. É um território onde o património dialoga diariamente com novas linguagens artísticas e onde a cultura assume um papel determinante na coesão, na valorização das comunidades e na projeção do território.
Enquanto Presidente da CIMRBSE, considero esta candidatura uma oportunidade para afirmar não apenas a Covilha, mas toda uma região que possui um património cultural, humano e paisagístico ímpar a nível mundial.
Ser Capital Portuguesa da Cultura será uma oportunidade para se reforçar redes, criar pontes entre municípios, instituições, agentes socioculturais e comunidades, demonstrando que a nossa cultura é um poderoso instrumento de desenvolvimento e de futuro para o Interior de Portugal.
Por Carlos Condesso, Presidente da CIMRBSE – Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela»




