Há quase dez anos que o interior do edifício da antiga “Pensão Madeira”, situada na Rua Dr. António Júlio, na Guarda, ficou completamente destruído pelas chamas. Desde então nada foi feito. Actualmente, a zona interior do que restou da casa está coberta por vegetação e os gatos são os únicos habitantes daquele espaço. Uma situação que, a partir do próximo Sábado, dia 3 de Outubro, vai ficar mais visível. Será nesse dia, a partir das 11 horas, que será inaugurada a “Oficina Criativa de Artes Tradicionais e Ofícios (ATO)” da Freguesia da Guarda, que ocupa a antiga galeria comercial da Guarda, situada entre as ruas Francisco de Passos (mais conhecida por Rua Direita) e Dr. António Júlio.
Diversas áreas desse novo espaço, disponibilizadas gratuitamente pela Junta de Freguesia, estão , destinadas à Associação de Artesãos (com a condição de os cerca de 30 artesãos, rotativamente trabalharem ao vivo e ensinarem os visitantes), havendo também uma zona de arte tecnológica, uma cafetaria e uma sala de convívio. E são precisamente estes dois últimos locais (Cafetaria e sala de convívio) que estão virados para aquele edifício degradado. A autarquia já informou o jornal “Todas as Beiras” que o município foi alertado para esta situação, ficando a aguardar que, pelo menos, seja feita uma limpeza ao espaço e vedado convenientemente, a fim de evitar um novo foco de incêndio.
Foi na manhã de 25 de Março de 2017 que o interior da antiga “Pensão Madeira”, situada na Rua Dr. António Júlio, no coração do Centro Histórico, ficou completamente destruído pelas chamas, tendo obrigado ao desalojamento de um morador de uma casa contígua. Desconhecem-se as causas do incêndio que foi combatido por 17 bombeiros voluntários da Guarda (BVG), apoiados por cinco viaturas.
Na altura, o então segundo comandante dos BVG, António Pereira, contou ao director deste jornal que os bombeiros tinham sido alertados cerca das 8 horas para um incêndio na zona histórica e que, logo que chegaram àquela zona, a primeira preocupação foi «fazer um rápido reconhecimento do local para ver se havia alguém no interior» e posteriormente «defender as posições porque o edifício estava todo tomado pelas chamas, o que dificultou o trabalho». Ao final da manhã desse Sábado os bombeiros já tinham começado a fase de rescaldo do incêndio.
Questionado sobre o perigo que constitui a zona histórica, António Pereira afirmou que «já há muito tempo que têm tido um cuidado enorme porque é uma zona de edifícios devolutos e degradados, de paredes gémeas, e qualquer foco de incêndio na zona tem uma probabilidade de enorme propagação devido aos materiais que existem». «Para evitar isto seria necessário que a zona fosse intervencionada, mas isso cabe aos proprietários», acrescentou.








