O “Projecto Teatro na Escola” (PTE), que tem sido desenvolvido nos últimos três anos por Daniel Rocha na Guarda, está, por agora suspenso, sendo certo que será por alguns meses. A maioria do executivo municipal entende que é chegada a altura de lançar o desafio aos vários grupos da cidade para apresentarem propostas. A informação foi prestada na Segunda-feira, no decorrer da reunião da autarquia, pela vereadora da Cultura, Cláudia Guedes, e pelo vice-presidente, António Fernandes, tendo ambos assegurado que não foi cancelado e negam também que o problema resida na falta de verbas, contrariando, assim, o que foi referido por Daniel Rocha numa nota pública sobre esse projecto dirigida aos «alunos, pais e encarregados de educação, e demais interessados».
Com base nesse texto do dinamizador do projecto, os vereadores da oposição António Monteirinho (PS) e Alexandra Isidro (coligação PSD/CDS/IL) questionaram, durante a reunião, a maioria que detém o poder na Câmara Municipal sobre o motivo de não ter sido dada continuidade ao projecto, acrescentando que não compreendem que a justificação de eventualmente não prosseguir seja a falta de financiamento.
No entender do vereador socialista, «quando a autarquia lança um projecto cultural, com impacto directo na formação de jovens, não pode cancelá-lo de forma arbitrária, sem explicação pública clara, sem critérios e nem respeito pelos compromissos assumidos». «Uma política cultural não pode funcionar ao sabor das circunstâncias», defende António Monteirinho, que se mostrou disponível a aprovar o aumento do orçamento para essa área tendo em vista viabilizar a continuidade do projecto educativo da cultura».
Alexandra Isidro também não tem dúvidas de que «já se provou que é um projecto importante para professores e alunos e não dá para acreditar que não haja verbas» para poder prosseguir.
Em resposta, a vereadora da Cultura, Cláudia Guedes, negou que o projecto tenha sido cancelado, assim como assegurou que não se trata de falta de verbas, explicando que o executivo municipal decidiu que, após o projecto ter sido dinamizado durante estes «três anos», era tempo de «fazer um desafio aos diversos grupos da cidade para apresentarem uma proposta».
No habitual “briefing” após a reunião, o vice-presidente António Fernandes, que tinha presidido à reunião, em substituição do presidente da autarquia, Sérgio Costa, também assegurou que não está cancelado o PTE. «É um projecto diferenciador, essencial, pedagógico, ao qual nós damos a máxima importância mas neste momento está em fase de análise. Foi feito o pedido de propostas a várias entidades e há-de seguir o seu caminho normal em termos de contratualização para que possa ser implementado o teatro nas escolas», acrescentou.
Daniel Rocha refere que «o Projecto de Teatro na Escola não acontecerá por falta de vontade e de orçamento do Município da Guarda»
Certo é que, na “nota pública” sobre esse projecto, Daniel Rocha refere que «o Projecto de Teatro na Escola não acontecerá por falta de vontade e de orçamento do Município da Guarda» e queixa-se de ter estado à espera desde Abril até Setembro para reunir com a vereadora da Cultura para avaliar os três anos do projecto e de definir a sua continuidade. Conta que foi já neste mês que está a terminar que conseguiu, «finalmente, ter uma reunião onde se destacaram a chefe de Divisão da Cultura e a responsável pelo TMG [Teatro Municipal da Guarda], mas onde estiveram também outros dois membros do TMG». «Dado que o ano lectivo começou e que o PTE deve acompanhar o ano lectivo devido ao seu carácter pedagógico e artístico, questionei se haveria vontade de continuar o projecto e dar disso conta aos interessados. Foi-me então dito que não havia orçamento para 2027 e que para 2026 haveria apenas uma pequena verba», refere Daniel Rocha. Refere ainda que foi depois confrontado com «um imenso rol de perguntas sobre o PTE e sobre “a não realização de coisas”», que o deixaram «pasmado pelo completo desconhecimento (talvez desinteresse) sobre o que é e representa este projecto».
«Gostaria de referir que não consigo perceber como é que não existe orçamento para financiar um projecto artístico e pedagógico por razões orçamentais de 2027, quando o mesmo projecto existiu nos dois anos lectivos anteriores e se conseguiu projectar o financiamento», diz, indignado o criador e organizador do PTE, que considera que «não é muito compreensível que se anunciem protocolos de continuidade de projectos para 2027 com entidades de outros municípios (alguns até concorrentes pela tão ambicionada capital cultural), e não se apoie este Projecto que foi visto e está a ser replicado em alguns desses municípios».




