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Alterações Climáticas: Um desafio global com impactos cada vez mais evidentes no Mundo, na Europa e em Portugal

As alterações climáticas constituem um dos maiores desafios da humanidade no século XXI. Resultam principalmente do aumento das emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO₂) e outros, provenientes da queima de
combustíveis fósseis, da desflorestação e de diversas atividades industriais. Este fenómeno está a provocar um aumento gradual da temperatura média do planeta, com consequências ambientais, económicas e sociais cada vez mais visíveis em
todo o mundo, na U.E., em Portugal e nas suas diversas regiões.
Desde a Revolução Industrial, a temperatura global tem vindo a aumentar de forma significativa. O Acordo de Paris, assinado em 2015 por quase todos os países do mundo, estabeleceu como objetivo limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No entanto, os dados mais recentes mostram que este limite está cada vez mais próximo de ser ultrapassado de forma persistente.

Segundo informações divulgadas pelo Serviço de Alterações Climáticas Copernicus, setembro de 2026 foi o segundo setembro mais quente desde que existem registos. A temperatura média global atingiu 16,27°C, valor 0,82°C superior à média do período 1991-2020 e 1,63°C acima dos níveis pré-industriais estimados para 1850-1900. Além disso, setembro marcou o segundo mês consecutivo em 2026 com temperaturas superiores a 1,5°C acima da referência pré-industrial.
Os impactos deste aquecimento são particularmente visíveis na Europa. O relatório refere que partes da Europa Ocidental registaram o setembro mais quente de sempre, acompanhado por condições excecionalmente secas. A seca agravou-se em várias regiões, provocando diminuições históricas dos caudais de importantes rios europeus, como o Reno, o Danúbio, a Vístula e o sistema Garona-Dordonha, e, naturalmente, também nos rios portugueses. Estas situações afetam a agricultura, a produção de energia, o abastecimento de água e a biodiversidade.
Os oceanos também são fortemente afetados pelas alterações climáticas. Em setembro de 2026, a temperatura média da superfície dos mares não polares atingiu 21,05°C, o valor mais elevado de sempre para este mês. O aquecimento das águas contribui para fenómenos meteorológicos mais intensos, acelera a subida do nível médio do mar – pondo em risco muitas ilhas e regiões insulares – e ameaça ecossistemas marinhos, incluindo recifes de coral e diversas espécies de peixe.
Outro fator relevante é o fenómeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical. Em setembro, a temperatura à superfície na região afetada pelo El Niño atingiu um recorde histórico de 29,70°C, contribuindo para o aumento das temperaturas globais e para a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo.
As consequências das alterações climáticas manifestam-se através de ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas, incêndios florestais, tempestades intensas, inundações e perda de biodiversidade. Estes fenómenos afetam não apenas os
ecossistemas naturais, mas também a saúde humana, a segurança alimentar e a estabilidade económica das sociedades.
Para enfrentar este desafio, é necessário reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa, investir em energias renováveis, melhorar a eficiência energética, promover transportes sustentáveis e proteger florestas e ecossistemas naturais.
Simultaneamente, os países devem desenvolver estratégias de adaptação para minimizar os impactos inevitáveis das alterações climáticas.
Em Portugal, no litoral e no interior dito profundo, como a Beira Litoral, B. Interior e B. Alta, Trás-os-Montes e Alentejo, uns e outros partes integrantes da Europa e U.E. o problema não é diferente. E isso tem sido bem visível nos últimos anos em que temos assistido a fogos nunca antes vistos como os de Pedrógão em junho de 2017 e outro em outubro também de 2017, temporais que arrasaram casas e fábricas, arrancaram ou partiram árvores, destruíram culturas, cortes de AE1 e outras estradas, destruição de estufas, vias de comunicação e rede elétrica, etc. como os deste ano de 2026 na zona de Leiria, Coimbra e Castelo Branco. E ainda épocas de frios, chuvadas e quedas de granizo exagerados como os que temos presenciado um pouco por todo o país.
Em conclusão, as evidências científicas demonstram que o aquecimento global está a intensificar-se e que os seus efeitos já são sentidos em todo o planeta. Os dados recentes do Copernicus mostram que os recordes de temperatura se sucedem e que fenómenos como a seca e o aquecimento dos oceanos se tornam cada vez mais preocupantes. A ação coletiva dos governos, das empresas, das autarquias e dos cidadãos será determinante para limitar os impactos das alterações climáticas e garantir um futuro mais sustentável para as próximas gerações. Todos temos que meter mãos à obra enquanto é tempo…

José Ramos Pires Manso, professor catedrático, Universidade da Beira Interior, responsável do Observatório para o Desenvolvimento do Interior

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