A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou esta tarde que o concurso para a construção da nova barragem do rio Mondego em Girabolhos, entre Nelas e Seia, deverá ser lançado até ao final de Março. «Eu própria vou fazer um despacho a solicitar à APA [Agência Portuguesa do Ambiente] para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de Março». O anúncio foi feito em Coimbra durante uma reunião da APA, onde foram discutidas as medidas de mitigação e controle de cheias na região do Rio Mondego.
A construção da barragem é parte da estratégia nacional “Água que Une”, que visa o abastecimento e distribuição eficiente de água em Portugal. O investimento previsto para a barragem é de 300 milhões de euros, com um prazo de execução entre 2026 e 2037.
A necessidade de avançar com aquela infraestrutura é uma das reivindicações dos agricultores que consideram que a regularização do Mondego permanece incompleto e não é possível garantir segurança face a cheias extremas.
A construção da barragem era um dos trabalhos previstos no projecto da obra hidráulica do Mondego, concebida na segunda metade do século XX para regularizar um rio que era conhecido como “o basófias”. No entanto, nunca chegou avante. Como é referido no estudo de impacto ambiental (EIA), datado de 2010, o aproveitamento hidroelétrico (AH) de Girabolhos tem como objectivos principais «o aumento da capacidade de produção de electricidade com base em recursos endógenos e renováveis; o aumento da capacidade instalada em aproveitamentos hidroeléctricos com bombagem e melhoria da fiabilidade e segurança de funcionamento do sistema eléctrico português, com implicações nos níveis de garantia da segurança e abastecimento».
Adicionalmente, «o EIA refere outros objectivos que poderão ser potenciados com a construção deste aproveitamento hidroeléctrico, nomeadamente o contributo para o combate a incêndios florestais pela facilitação do acesso à água, conseguido com a criação da albufeira; dinamização sócio-económica da região em resultado da implantação do projecto, nomeadamente na vertente turística e recreativa devido à presença do plano de água; e ainda a mitigação dos efeitos das secas devido à regularização dos caudais através do de armazenamento de água na albufeira».
O projecto abrange as freguesias de Arcozelo, Cativelos, Ribamondego, Vila Nova de Tázem e Vila Franca da Serra, do concelho de Gouveia; Girabolhos e Paranhos, do concelho de Seia; Fornos de Algodres do concelho de Fornos de Algodres; Abrunhosa-a-Velha, Cunha Baixa, Póvoa de Cervães e Santiago de Cassurrães, do concelho de Mangualde; e Senhorim, do concelho de Nelas.




