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Câmara da Guarda reagiu à notícia do TB e veio agora assegurar que o livro será publicado mas com mais testemunhos

O Município da Guarda já reagiu, em comunicado publicado na sua página oficial (não foi enviado directamente ao jornal “Todas as Beiras”, que era o que deveria ter feito), à notícia do cancelamento da publicação do livro sobre os 50 anos do poder local, que contou com o contributo gratuito de 50 pessoas. A autarquia assegura que «todos os textos e obras gráficas já entregues pelos colaboradores fazem parte do livro e serão publicados na versão final». Este “adiamento” deve-se, justifica o município, ao facto de que «a versão actual ainda não inclui o testemunho escrito de protagonistas essenciais desta história», especificando que «faltam responsáveis de partidos políticos, deputados municipais, presidentes de junta de freguesia, vereadores que definiram políticas ao longo de vários mandatos, presidentes de assembleia municipal e presidentes de câmara que conduziram os destinos do concelho da Guarda». A terminar o texto, é referido que a «Câmara Municipal lamenta que uma obra desta importância tenha padecido de alguns mal-entendidos que serão rapidamente esclarecidos».

Como o jornal “Todas as Beiras” noticiou na manhã deste Domingo, a meia centena de colaboradores foi surpreendida na última semana com a informação de que o Município da Guarda tinha decidido “superiormente” cancelar a publicação do livro sobre os 50 anos do poder local. Ficaram a saber, através do mediador e organizador desta publicação, Thierry Santos (coordenador do Museu da Guarda), que o livro foi «superiormente cancelado», como contaram ao jornal “Todas as Beiras”, alguns dos colaboradores dessa obra, que se mostraram indignados com esta situação.

A obra, intitulada “Guarda: 50 Anos de Poder Local Democrático – Território, Pessoas e Futuro”, já tinha sido revista e pronta para ser impressa e estava previsto que seria apresentada no próximo dia 12 de Dezembro, data em que se evoca a realização das primeiras eleições autárquicas, ocorridas em 1976. A Câmara Municipal veio agora justificar, já depois de revistos todos os trabalhos dos 50 colaboradores e quando o livro estava pronto para ir para a tipografia, que foi notada a ausência do «testemunho escrito de protagonistas essenciais desta história», dando o exemplo, entre outros, de «responsáveis políticos, deputados municipais» e presidentes de junta de freguesia.

Numa reacção à notícia do TB, a Comissão Política Concelhia da JSD da Guarda veio dizer que o cancelamento da publicação se tratava de «um grave atropelo a direitos, liberdades e garantias consagradas na Constituição que, também no corrente ano, celebra meio século». «A censura raramente se apresenta como censura. Os censores nunca anunciam que censuraram. Escudar-se-ão em “constrangimentos financeiros”, numa “redefinição da estratégia editorial”, em “novas prioridades culturais”, em “razões de oportunidade” ou num qualquer “equívoco de comunicação”», considera a JSD local. Os jovens social-democratas dizem ainda que, «talvez, se a polémica crescer, recuem, acabem por publicar o livro e encontrem alguém, suficientemente abaixo na hierarquia, a quem atribuir as culpas, dizendo que “a obra não estava completa”».

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