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A “Revolução dos cravos” de 1974

A Revolução do 25 de Abril de 1974, também conhecida como “Revolução dos Cravos”, representa uma viragem decisiva na história de Portugal, ao pôr fim a quase 48 anos de ditadura do Estado Novo. Este regime autoritário, iniciado por António de Oliveira Salazar e continuado por Marcelo Caetano, caracterizava-se pela censura, repressão política, ausência de eleições livres e pela prolongada guerra colonial em África. «E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho, e «Grândola Vila Morena», de Zeca Afonso, foram as senhas de uma revolução que há 52 anos derrubou o regime ditatorial.

Há 52 anos, na madrugada do 25 de Abril, o Movimento dos Capitães punha fim a 48 anos de ditadura, fundada por António de Oliveira Salazar. . “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, foram as senhas para a “revolução dos cravos”.

Os militares que protagonizaram a “Revolução dos Cravos” contestavam a guerra colonial em África, que já fizera milhares de mortos, e prometiam a realização de eleições livres e um regime democrático.

António de Spínola, autor do livro “Portugal e o Futuro”, que contestou a ideia de uma vitória militar na guerra colonial, foi escolhido para presidente da Junta de Salvação Nacional (JSN) e os então líderes do PCP, Álvaro Cunhal, e do PS, Mário Soares, puderam regressar do exílio.

Do 25 de Abril de 1974 até Julho de 1975, a vida política portuguesa radicalizou-se. Spínola demitiu-se de presidente ainda em 1974, alegando que o país estava ingovernável e a caminho de uma ditadura de esquerda. As nacionalizações da banca, dos seguros e de indústrias já tinham sido consumadas. Também tinha avançado a ocupação de terras e implementada a reforma agrária. O princípio do fim do chamado “Processo Revolucionário em Curso” (PREC) só aconteceu depois do 25 de Novembro de 1974.

Cronologia dos principais acontecimentos da revolução

24 de Março – Reunião clandestina da Comissão Coordenadora do MFA na qual é decidido o derrube do regime.

23 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos com instruções para as acções a desencadear na noite de 24.

24 de Abril – O jornal “República” chama a atenção dos seus leitores para a emissão dessa noite na “Rádio Renascença”.

24 de Abril – 22:00 horas – Otelo Saraiva de Carvalho comanda as operações a partir do Regimento de Engenharia na Pontinha.

22:55 horas – A transmissão da canção «E depois do Adeus», de Paulo de Carvalho, nos Emissores Associados de Lisboa marca o início das operações.

00:20 horas – A transmissão de «Grândola Vila Morena», de José Afonso, na Rádio “Renascença” é a senha do MFA de que as operações estão em marcha.

Das 00:30 às 16:00 horas – Ocupação de pontos estratégicos: RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi. O MFA difunde o primeiro comunicado. Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço. O povo sai à rua. Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, onde estão refugiados Marcelo Caetano e dois ministros.

25 de Abril – 16:30 horas – Após algumas diligências, Marcelo Caetano está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a coronel.

17:45 horas – Spínola entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo.

19:30 horas – A chaimite “Bula” entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros, levando-os para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha.

20:00 horas – Elementos da PIDE/DGS disparam sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia e fazem quatro mortos e 45 feridos.

20:05 – É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação dos Movimento das Forças Armadas.

26 de Abril – A PIDE/DGS rende-se. Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país na RTP. Marcelo Caetano, Américo Tomás e outros elementos do antigo regime são enviados para a Madeira. O General Spínola é designado Presidente da República. Libertação dos presos políticos.

28 e 30 Abril – Regresso a Portugal dos líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português (Álvaro Cunhal).

1 Maio – Manifestação do 1.º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas.

4 Maio – O MRPP organiza a primeira manifestação de boicote ao embarque de soldados para as colónias.

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