O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, disse na tarde de Sexta-feira ter «a certeza absoluta» de que o concurso que será hoje lançado para a requalificação do Hotel Turismo da Guarda «vai atrair empresários». O governante espera mesmo vir a inaugurar o hotel ainda durante a actual legislatura.
No entender daquele membro do Governo, as condições do concurso respondem «de forma mais eficaz» às necessidades do mercado. «É minha convicção que este hotel neste sítio, com uma dimensão acima de cem quartos, é uma daquelas unidades que vai ter seguramente procura», acrescentou, salientando que «o mercado em Portugal está com uma taxa de crescimento em termos de fluxo acima dos 2% ou 3% e com uma taxa de crescimento em termos de receitas entre 5 e 6%, sendo hoje um mercado muito apetecível».
A sessão de divulgação do concurso decorreu no interior da unidade hoteleira da Guarda. A partir do momento em que o anúncio seja publicado nos jornais locais e nacionais, que deverá ocorrer a meio da próxima semana (sendo provável que seja na Quarta-feira), decorrerá um prazo de 40 dias consecutivos para a apresentação de propostas, informou o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, não adiantando os valores em causa.
Informou ainda que o contrato de arrendamento será por um período de 50 anos, podendo o arrendatário, caso assim o deseje, «exercer, a partir do quarto ano, a opção de compra do edifício». As obras de requalificação, que ficarão a cargo do investidor, deverão decorrer «entre 18 a 24 meses«.
O presidente do Turismo de Portugal referiu também que a decisão sobre o vencedor do concurso deverá ocorrer em Maio, para que, «depois de feita a adjudicação, possa haver a apresentação do projecto e a sua aprovação», podendo depois iniciarem-se as obras, a cargo investidor, prevendo-se que «possam demorar entre «18 a 24 meses».
Para o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, o dia de hoje é «absolutamente simbólico para a Guarda, para a região e para o país», tendo recordado que «este hotel é o epicentro de uma telenovela com quase 16 anos, onde durante todo este tempo foram dados demasiados “tiros de pólvora seca”». O autarca aproveitou por isso para apelar a que «se deixe de falar sem se saber o que está a ser feito, porque este trabalho de formiga que foi sendo feito entre os três [presidente da Câmara, secretário de Estado do Turismo e presidente do Turismo de Portugal] ao longo deste tempo vai originar o canto da cigarra, esperemos dentro de pouco tempo». «Os cidadãos guardenses, ao fim de quase 16 anos, estão como S. Tomé: querem ver para crer», realçou o autarca, adiantando que «por isso, se deve acreditar que é mesmo desta que este processo vai ser levado a bom porto».
«Todos nós só descansamos quando estivermos aqui neste hotel no dia da sua inauguração», disse ainda Sérgio Costa quase no final da sua intervenção, durante a qual não deixou de tecer rasgados elogios a Pedro Machado «pela sua absoluta lealdade institucional enquanto secretário de Estado, com a sua coragem, com a sua grande determinação» de se estar hoje a anunciar publicamente o concurso público.
De recordar que, como o jornal “Todas as Beiras” noticiou, o secretário de Estado do Turismo tinha anunciado, na Quarta-feira da semana passada, durante a audição na Comisssão da Economia e Coesão Territorial, que seria lançado na última Segunda-feira o concurso público para a requalificação do Hotel Turismo da Guarda, na sequência do despacho de Setembro do ano passado que revogou o contrato de arrendamento com a Enatur, dando, assim, a possibilidade de o Turismo de Portugal (TP), na sua qualidade de proprietário, colocar directamente aquele imóvel no mercado para reabilitação e requalificação, com opção de compra. Certo é que não se verificou essa publicação. Ontem, o Município da Guarda viria a informar que o concurso público para arrendamento do Hotel Turismo seria lançado hoje na Sala dos Arcos daquela unidade hoteleira, com a presença do secretário de Estado do Turismo. E foi isso que veio a acontecer.
Hotel foi inaugurado em 1947 e fechou em 2010
Inaugurado em 1947, o hotel, projectado em 1936 pelo arquitecto Vasco Regaleiro, encerrou em Outubro de 2010 e, em Abril de 2011, foi adquirido pelo Turismo de Portugal à Câmara da Guarda. Aquele unidade hoteleira viria a ser um dos primeiros imóveis colocados a concurso no âmbito do Programa REVIVE. Em Maio de 2018, foi assinado um contrato de concessão para a recuperação e exploração deste imóvel pelo consórcio composto pelas sociedades MRG Property e MRG Construction, mas o projecto não avançou, devido a dificuldades financeiras com que o grupo concessionário se defrontou.
Viria depois a ser lançado um novo concurso que pretendia dar uma nova vida a este emblemático edifício da cidade da Guarda, mas também não teve interessados. O imóvel viria, em 2023, a ser desafectado do REVIVE, tendo o Governo decidido a sua integração da rede de Pousadas de Portugal e entregue à ENATUR. Estava inicialmente previsto que reabrisse ainda em 2025, ano a partir do qual a ENATUR iria pagar ao Turismo de Portugal uma renda mensal de 3.891 euros durante 50 anos, prazo da concessão. Mas esta solução também viria a cair por terra. Por isso, em Setembro de 2025, foi revogada essa concessão e dada a possibilidade ao Turismo de Portugal de colocar directamente aquele imóvel no mercado para reabilitação e requalificação, com opção de compra.




