O bispo da Guarda, José Miguel Pereira, está convicto de que «está para breve o início de se poder o som do novo órgão de tubos da Sé Catedral», uma vez que o organeiro Frederico Desmottes, em Espanha, deu por concluída a construção do instrumento e o Património Cultural – Instituto Público «já deu autorização para se levantar o chão e começar as obras» para a construção da plataforma onde será colocado. O representante máximo da Diocese lamentou apenas que o órgão não esteja colocado antes de 22 de Outubro, dia de aniversário da Dedicação da Catedral da Guarda.
As declarações do bispo foram feitas na passada Sexta-feira, na ExpoEcclesia, durante a sessão de apresentação do livro “A Capela de Música da Sé da Guarda (Séc. XVI – Séc. XIX). Algumas Obras (Séc. XVIII)”, da autoria do padre José Joaquim Pinto Geada. A obra, com edição da Câmara Municipal e do Museu da Guarda, é resultado de um longo trabalho de pesquisa, de recolha e leituras sobre a música sacra composta na Sé da Guarda, desde o séc. XVI até ao século XIX.
Num dos textos publicados nesta obra, o anterior bispo da Guarda, Manuel da Rocha Felício, não poupa elogios a José Joaquim Pinto Geada, considerando que ele fez «um trabalho de investigação notável» sobre a Capela da Sé, tendo sabido «contornar dificuldades, entre elas a do desaparecimento do arquivo musical da Sé da Guarda. Outros caminhos soube explorar para levar a efeito a sua investigação, como arquivos variados de fora da Diocese e também o Arquivo Diocesano da Guarda, que ele conhece como ninguém».
«É uma investigação que remonta a meados do séc. XVI, mais propriamente ao ano de 1556, data em que a Capela de Música da Sé da Guarda foi iniciada, tudo indica por D. João de Portugal. Foram 280 anos de serviço à causa da música e da formação musical na nossa Sé, contando com notáveis, mestres, compositores e organistas», refere Manuel da Rocha Felício, acrescentando que «foram 23 os mestres desta Capela conhecidos, com origens variadas, desde o estrangeiro, como por exemplo, o primeiro que veio de Ciudad Rodrigo, até aos que vieram da zona alentejana».
Por seu lado, na mesma obra, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, agradece o «empenho pessoal» do bispo emérito da Guarda neste projecto. «O seu contributo foi determinante para que a reconstrução do órgão de tubos da Sé se tornasse uma realidade, devolvendo ao templo maior da Diocese a dignidade sonora que lhe é devida, e à cidade da Guarda um património cultural de dimensão nacional e europeia», realça o autarca.
Sérgio Costa refere ainda que «a chegada iminente do novo órgão de tubos – herdeiro simbólico do instrumento vandalizado nas Invasões Francesas – será o momento de devolver à Sé da Guarda a plenitude da sua voz» e que o livro agora publicado é «o testemunho escrito dessa alma musical que nunca deixou de existir, mesmo quando o silêncio ocupou o lugar da harmonia».
José Joaquim Pinto Geada informa, num dos textos, que este novo livro vem na sequência de descobertas que surgiram posteriormente à publicação, em 1990, da obra “A Música na Sé da Guarda – Séc. XIII – Séc. XIX» (edição do Museu da Guarda)».
Explica ainda que este novo trabalho está dividido em duas partes: «na primeira, uma tentativa de análise sobre a criação e vida da Capela dos Músicos; na segunda, mais extensa, apresentação de algumas obras da época setecentista, concretamente, de Vicente José Godinho de Macedo (6, 1713 – 17737), João José Baldi (1770 – 1816) e António José Pereira Bom-Sucesso (1772 – 1808…)».
«Embora este estudo, por natureza, diga mais respeito aos especialistas da música, é também posto ao alcance de todos os que se interessam pela vida da Catedral, e daí certos pormenores da história da mesma que, necessariamente, vieram enquadrar a vida da Capela», acrescenta o autor do livro.







