Quarta-feira, 12 Agosto, 2026
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Presidente da República recordou ao Governo que está por cumprir a promessa de investir 155 ME na Serra da Estrela

O presidente da República chamou hoje à atenção do Governo de que «é urgente evitar que as medidas propostas» para melhorar a prevenção e a capacidade de protecção das comunidades «fiquem na gaveta, adiadas sine die». «As intempéries, as vagas de calor, os sismos, a frequência de incêndios devastadores, em Portugal e noutras geografias, clamam por uma acção atempada, mobilizadora e cientificamente fundamentada», salientou António José Seguro durante a sessão solene comemorativa do 150.° aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses (AHBVE), que decorreu no Largo Frei Pedro, na Guarda.

O mais alto magistrado da Nação não deixou de relembrar ao Governo de que continuam por cumprir «promessas que se arrastam há muito tempo», como «a que se seguiu à tragédia de 2022, no Parque Natural da Serra da Estrela, devastado por um incêndio que durou mais de duas semanas». «Quatro anos depois, essa promessa continua por cumprir. Quase nada foi investido dos 155 milhões de euros anunciados. Ora, quando se assinala meio século do Parque Natural da Serra da Estrela, em vez do passa-culpas, o que se exige são passos concretos para revitalizar e proteger este património natural, que é também um dos principais ativos desta região do interior de Portugal», sustentou o presidente da República, realçando que «a Serra da Estrela merece mais do que promessas».

A cerimónia oficial 150º aniversário da AHBVE, iniciada com o hastear da bandeira, incluiu a imposição de medalhas comemorativa, culminando com com o tradicional desfile motorizado pelas principais ruas da cidade, assinalando o encerramento das celebrações solenes.

António José Seguro justificou que a sua presença nas comemorações da AHBVE é não só uma homenagem à associação da Guarda mas também a todas as que existem no no país. «Não há discurso que pague o que fazem. Mas há uma coisa que Portugal vos deve sempre: memória, respeito e gratidão», evidenciou. E «em reconhecimento do papel insubstituível dos bombeiros portugueses ao serviço das populações e do país», anunciou que decidiu distinguir hoje a AHBVE com «o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito, por ocasião das comemorações dos seus 150 anos».

Uma vez que era a primeira vez que vinha à Guarda enquanto presidente da República, aproveitou a ocasião para «homenagear Carlos Dâmaso, ex-autarca de Vila Franca do Deão, que faleceu há precisamente um ano, quando defendia a sua aldeia de um incêndio». «É um exemplo de que há pessoas capazes de arriscar a própria vida pela vida dos outros. Como, todos os dias, fazem os bombeiros de Portugal», salientou.

Dirigentes defendem necessidade da valorização do voluntariado e de novo modelo de financiamento para as associações huimanitárias

Momentos antes, o presidente da direcção da AHBVE, Fábio Pinto, tinha-se dirigido ao secretário de Estado da Protecção Civil, Rui Rocha, lembrando que «sempre que Portugal precisou dos seus bombeiros… Encontrou-os. Em todas as horas mais difíceis. Responderam sempre. Sem hesitar e sem nada perguntar». «Por isso, acreditamos que o caminho que o Governo tem procurado construir deve prosseguir com ainda maior determinação. Um caminho que conduza à valorização efectiva do voluntariado, à definição de uma carreira clara e digna para todos os bombeiros e ao reconhecimento de que a verdadeira justiça exige respostas diferentes para realidades diferentes», referiu o dirigente da AHBVE.

Na mesma linha de pensamento foi a intervenção do comandante dos Bombeiros da Guarda, Fábio Machado, que referiu serem necessários «melhores meios, melhores condições, formação contínua e capacidade para atrair e manter novas gerações de bombeiros». Se queremos bombeiros preparados para responder aos desafios do futuro temos também que criar condições para que aqueles que servem o próximo possam olhar para o futuro com confiança», afirmou, recordando que «existem matérias que importa concretizar, como sendo a valorização e a definição de carreiras dos bombeiros e o modelo de financiamento das associações humanitárias».

Também o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, evidenciou que os bombeiros precisam que «o Estado, na sua globalidade, faça, além das promessas e das intenções, uma reforma estrutural uma compreensão do novo fenómeno dos bombeiros portugueses. Precisamos de ter um Estatuto Social do Bombeiro, um Estatuto dos Bombeiros Profissionais nas associações humanitárias, um Estatuto de Dirigentes Associativos e novas metodologias de combate, em particular aos incêndios florestais». Na sua intervenção, recordou que, «desde 1980 e até aos dias de hoje, mais de 256 bombeiros faleceram na defesa dos interesses das comunidades e desde 1 de Janeiro deste ano e até hoje mais de 250 bombeiros feridos e um morto».

O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, também defendeu a necessidade haver um «pacto de regime para a Protecção Civil», de ser revista a lei do financiamento das associações humanitárias e dos municípios, bem como a existência de um estatuto social do bombeiro.

Em resposta a algumas das questões abordadas nas diversas intervenções, o secretário de Estado da Protecção Civil assegurou que o actual Governo assumiu, desde o primeiro dia, que a protecção civil e os bombeiros são uma prioridade nacional», informando que «a nova lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil está em análise no gabinete» do ministro da Administração Interna, Luís Neves. «Até ao final do ano, em colaboração com a Liga dos Bombeiros Portugueses, com a Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais e com a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, queremos ter concluída a estrutura jurídico-legal da carreira de todos aqueles que têm contrato de trabalho com as associações humanitárias», anunciou.

Fábio Pinto, presidente da direcção da AHBVE
Fábio Machado, comandante dos Bombeiros Voluntários da Guarda
António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses
Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda
Rui Rocha, secretário de Estado da Protecção Civil
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