Sexta-feira, 14 Agosto, 2026
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Preços dos quartos nas cidades universitárias portuguesas – A radiografia essencial para quem se matricula no ensino superior (2026–2027)

Entre julho e setembro, milhares de estudantes procuram quarto em apartamentos partilhados, T0 ou outras tipologias, nas cidades onde foram colocados no ensino superior. Para muitos, o custo do alojamento é hoje o fator que mais pesa na decisão de estudar. Em 2025–2026, o mercado português de arrendamento de quartos continuou marcado por forte pressão, escassez
de oferta acessível e diferenças profundas entre cidades universitárias. Os dados mais recentes do INE, do idealista e de outros sites imobiliários, mostram que o preço dos quartos aumentou 8% em 2025 e voltou a subir 8% no primeiro trimestre de 2026, confirmando uma tendência persistente de valorização. Embora também haja algumas descidas pontuais, o padrão geral é de subida, sobretudo nos centros urbanos com maior procura estudantil. Veja a situação no país em geral e no país profundo e registe as enormes desigualdades existentes…

A nível nacional, a capital, Lisboa, mantém-se como a cidade mais cara para arrendar quarto, com valores médios na ordem dos 550 €/mês. A pressão turística, a procura de jovens trabalhadores e a escassez de oferta pública explicam a persistência destes valores. No Porto, apesar de uma ligeira descida em 2025, os preços voltaram a subir em 2026, situando-se agora em torno de 430–450 €/mês. Já em Coimbra, a cidade universitária por excelência desde o séc. XIV, arrendar quarto tem
valores médios de 335 €/mês, mantendo-se abaixo das grandes áreas metropolitanas das duas maiores cidades, com a ajuda das repúblicas — casas cooperativas que praticam preços entre 120 e 250 € — ou seja, continuando a oferecer uma alternativa única, embora limitada em vagas. Mas o grupo intermédio constituído, entre outras, pelas cidades de Aveiro, Braga, Évora e Faro apresenta preços que se situam num intervalo entre 350 € e 400 €/mês, dependendo da tipologia e
localização. Aveiro, em 2026, registou uma descida significativa (de -9%), enquanto Braga, Faro e Évora mantiveram alguma estabilidade nos preços.

E os preços no Interior do país, o chamado interior profundo?
As cidades do interior, onde se localizam instituições como a Universidade da Beira Interior (UBI), o a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e os Institutos Politécnicos de Castelo Branco (IPCB), Guarda (IPG) e Viseu (IPV), agora anunciadas como novas universidades, a par das de Leiria (IPL) e Porto (IPP), concretizadas há dias, para só referir estes, continuam a ser as opções mais económicas para estudar.

De facto, a Covilhã, por exemplo, apresenta valores médios que variam entre os 250€ e 270 €/mês, com alguma oscilação entre zonas próximas dos polos da UBI (Pólo I – Convento de Santo António, Pólo das Engenharias, Polo das Ciências Sociais e Humanas e Pólo das Ciências da Saúde). De facto, esta cidade tem vindo a atrair cada vez mais estudantes nacionais e
internacionais, o que pressiona ligeiramente o mercado, mas, mesmo assim, continua a ser uma das opções mais acessíveis do país. Já Castelo Branco – Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) – mantém valores médios na ordem dos 250 €/mês, sendo uma das cidades com maior estabilidade de preços. Nesta cidade a oferta é relativamente equilibrada, com muitos estudantes a optar por quartos em apartamentos partilhados, frequentemente muito mais baratos do que nas cidades do litoral.

Nas outras cidades do interior do país mantêm-se preços altamente competitivos, isto é, bem mais baratos do que a média nacional, explicável apenas porque a pressão da procura não tem sido aqui tão acentuada. No caso da Guarda, por exemplo, os preços variam no intervalo 200–210 €/mês, em Bragança 225–230 €/mês. Já em Vila Real e em Beja, os valores médios atingem cerca de 250 €/mês, em Viseu os 270 €/mês e em Leiria os 290 €/mês. Mas, convém frisar, que apesar de serem
as mais acessíveis, estas cidades registaram algumas das maiores subidas percentuais, dado que a sua oferta de quartos sendo também menor, a lei da oferta e da procura explica o resto. Só em Bragança, por exemplo, o seu preço aumentou 13–15% num ano.

Quadro geral dos preços médios por quarto/mês e suas tendências em todo o país

Para se ficar com uma panorâmica geral dos preços médios no país no seu todo, o quadro seguinte mostra os valores dos preços médios dos quartos em vigor no ano de 2025/26 nalgumas cidades do país onde se localizam os principais estabelecimentos de ensino superior (universidades e institutos politécnicos) e ainda a sua evolução ou tendência em 2025-2026.

Quartos em residências universitárias: a solução mais barata quando existe vaga

As residências públicas dos Serviços de Ação Social (SAS) continuam a ser a solução mais acessível: um quarto duplo para bolseiros custa 17,5% do IAS – Indexante dos Apoios Sociais, cerca de 94 €/mês em 2026. Mas se o aluno for não bolseiro, os preços já variam entre 120-325 €, dependendo da instituição. E frequentemente em quarto duplo. Contudo, a oferta é muito limitada pois Portugal tem apenas cerca de 15 mil camas públicas em todo o país, número que deverá subir para 26 mil
até ao final de 2026, segundo o PNAES.
Mas este mercado é cada vez menos apenas estudantil: De facto, convém ter em atenção que o arrend mento de quartos deixou de ser uma solução exclusiva para estudantes, sejam nacionais ou estrangeiros, pois hoje, jovens trabalhadores, recém-chegados às cidades e pessoas que não conseguem suportar o custo de uma habitação completa competem pelo mesmo segmento, pressionando ainda mais os preços.
Em síntese, estudar no interior continua a ser uma vantagem económica competitiva. Podemos ainda concluir, como iniciamos, que a entrada no ensino superior coincide hoje com um dos momentos mais críticos da vida financeira dos estudantes e suas famílias. As diferenças de preços entre cidades são profundas: estudar em Lisboa pode custar mais do dobro do que estudar na Guarda, C. Branco ou Bragança. A expansão das residências universitárias ou politécnicas públicas
tem dado uma ajuda para trazer alguma estabilidade aos preços, mas não tem sido suficiente para travar a escalada dos preços no mercado privado em geral. Para milhares de famílias, o custo doqua rto é já o principal fator de exclusão no acesso ao ensino superior.

José R. Pires Manso, professor catedrático na Universidade da Beira Interior, responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social do Interior (ODESI)

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