Embora no testemunho dado pelo presidente da Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), Carlos Condesso, a apoiar a candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura nada seja referido, o jornal “Todas as Beiras” (TB) ficou a saber que a sua posição reflecte uma deliberação tomada há vários dias pelo Conselho Intermunicipal da Comunidade no sentido de serem apoiadas as duas candidaturas que estão na sua área de influência. E é isto que está a ser cumprido. O dirigente da CIM confirmou ao jornal “Todas as Beiras” que foi redigido um testemunho a apoiar a candidatura da Covilhã, tendo sido feito o mesmo em relação à da Guarda. Enquanto a autarquia covilhanense optou já por divulgar o texto, associando mesmo uma foto de Carlos Condesso, na Guarda isso ainda não aconteceu.
Há um mês, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, afirmou numa reunião do executivo municipal que não fazia sentido a CIMRBSE tomar partido por qualquer uma das duas candidaturas da região a Capital Portuguesa da Cultura, concretamente a Guarda e a Covilhã. E chegou mesmo a dizer que, a haver uma escolha, seria pela Guarda uma vez que a maioria dos concelhos que integram a comunidade são do distrito. Só que, nem uma coisa nem outra, como ficou a saber esta tarde o TB, tendo o Conselho Intermunicipal optado por apoiar as duas. A Covilhã já divulgou o apoio. A Guarda mantém-se no “recato”.
Sérgio Costa: «Não contem connosco para andar aqui nas redes sociais a dizer que vamos fazer isto e aquilo»
Na última Assembleia Municipal, ocorrida na passada Quinta-feira, aquando da apresentação de uma recomendação sobre a estratégia de divulgação e envolvimento da população na candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, feita pela socialista Diana Santos, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, respondeu que «o conteúdo da candidatura só será público depois de entregue». «Não contem connosco para andar aqui nas redes sociais a dizer que vamos fazer isto e aquilo, senão os nossos concorrentes iriam – e bem – copiar algumas ideias e fazer melhor ainda, o que é normal». «Aqui tem que ser, tal como na questão das áreas empresariais, também o recato e, por isso é que houve as reuniões todas e os inquéritos online para que todos possam contribuir com os “apports” necessários para tudo isso», acrescentou.
Na recomendação apresentada pela deputada do PS, é referido que «uma candidatura a Capital Portuguesa da Cultura não se esgota em cartas de compromisso formais; necessita do envolvimento e da participação activa de todo o tecido local: agentes culturais e artísticos, movimento associativo, tecido empresarial, comunidade educativa, forças políticas e cidadãos em geral». Os socialistas defendem, por isso, que é necessário que a autarquia «promova uma Estratégia Municipal de Comunicação e Mobilização Cívica», que passe, por exemplo, pelo lançamento de «uma campanha de comunicação sob o mote da candidatura em todo o concelho, assegurando que a população da Guarda saiba que a cidade está nesta corrida e se sinta parte integrante do projecto»; bem como que seja disponibilizado «um ponto de contacto digital onde os munícipes e agentes culturais possam consultar o progresso da candidatura e submeter propostas e ideias». No documento é ainda defendido que devem ser promovidas «sessões contínuas de auscultação e trabalho com as associações culturais, artistas locais, juntas de freguesia e a comunidade educativa, integrando a criação local na estrutura do programa» e que sejam estruturadas «acções específicas junto das escolas e do ensino superior para garantir uma estratégia inclusiva de públicos».





