Desligadas as câmaras e apagados os holofotes, uma semana após a realização do Conselho de Ministros na Guarda, nem sequer se pode afirmar que a montanha pariu um rato. Quem esperava que a reunião magna do governo viesse trazer resoluções para alguns dos problemas que por cá se vivem, ou mesmo falar dos que atormentam os portugueses, viu apenas chegar uma comitiva num desfile encenado de vaidades.
Pessoalmente, esperava que neste Conselho de Ministros, o responsável das Infraestruturas pudesse dizer alguma coisa sobre o estado atual da Nacional 232, ou que, pelo menos, metesse pés ao caminho para ver como a serra se rasgou, privando um concelho de uma das suas ligações fundamentais, ao norte do país.
Já nem me incomodava se o senhor ministro não levasse com ele a colega do ambiente, também ela, julgo eu, parte interessada na resolução do caso, por se situar num Parque Natural. A ferida aberta na encosta, não daria por certo o melhor enquadramento ou boas reportagens, por não terem nada a dizer a quem sofre no dia a dia num município que já antes lutara para manter aberta à circulação a estrada nacional 338.
O que ficou desse dia, foi uma mão cheia de nada.
Ou talvez restasse uma fantasia: a de que subir à cidade mais alta mostrasse que há um governo que sai de Lisboa e se preocupava com aqueles com quem não fala e a quem nada tem para dizer sobre os locais onde vive.




