Sexta-feira, 17 Julho, 2026
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Cantamos parabéns?

O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) fez a 16 de julho, 50 anos de vida.

O aniversário valeu a presença da Ministra do Ambiente em Manteigas, sede do Parque (que muitos invejaram, ou ainda invejam) para, segundo as redes sociais do Ministério, proceder à inauguração do novo edifício-sede. A antiga pensão Lusitana, edifício onde funciona há décadas a sede do PNSE, à entrada da vila de Manteigas, pintou-se de novo e requalificou-se, após anos de desmazelo em que parecia que por ali já nada acontecia.

Uma prenda que a área protegida já merecia e à qual se junta a declaração da ministra de que esta requalificação do edifício trará de volta a gestão da área protegida à sua sede, com uma direção que conheça o local, após anos de vazio diretivo de proximidade.

Mas, meio século depois a pergunta continua a impor-se: Afinal para que serve o PNSE se, quem cá habita tem sempre mais a dizer sobre os entraves que ele coloca do que propriamente sobre o que o Parque deveria proteger e cuidar, através da interação com quem

nele vive?

Tudo porque o Parque, ao invés de realizar uma ação pedagógica conjunta, aproveitando os conhecimentos de quem aqui viveu e manteve, ao longo dos séculos, a fauna e a flora da Serra, acrescentando-lhe conhecimentos científicos, preferiu atrás de secretárias, despachar soluções que levaram a que a área fosse abandonada por uma das espécies que apesar de nela intervir, mais o protegeu: o homem.

A afirmação da Serra-mãe faz-se por si mesma, na ancestralidade que trazemos pela vivência de gerações que dela cuidaram e nos ensinaram a proteger e conservar os nossos valores naturais e paisagísticos, mas também os culturais. Porque a Serra é o melhor que temos para deixar a filhos e netos, para que dela possam fruir em toda a sua plenitude.

Não basta assim dizer que se quer aqui uma direção conhecedora do espaço! É preciso que essa direção olhe para os 50 anos passados e tenha a coragem de encaminhar o PNSE para mais meio século de conservação, bem conseguida.

Sem esse fundamento, os parabéns não terão música.

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