A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, com apoio do Corpo de Guardas Prisionais, levou a cabo uma operação policial, na Segunda-feira e Terça-feira, tendo sido detidas duas dezenas de pessoas, que, «de forma organizada, forneciam estupefacientes para os Estabelecimentos Prisionais (EP) da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego». Em comunicado, a PJ adianta que «em causa estão os crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida». Os detidos, 17 homens e três mulheres, irão ser presentes ao Departamento de Investigação Criminal da Guarda, cujo inquérito é ali titulado.
«A operação “Tranca Segura” resulta de uma investigação com a colaboração do Corpo de Guardas Prisionais e da Direção do Estabelecimento Prisional da Guarda, que decorre há cerca de um ano, motivada por ações de prevenção no E.P. da Guarda, em virtude da detecção e apreensão de estupefacientes dentro do referido Estabelecimento», informa a PJ, adiantando que que «tais acções levaram à detenção sequencial de três homens e uma mulher quanto tentavam introduzir pólen de haxixe transportado no interior do corpo, cocaína dissimulada dentro de um rolo de carne e de drogas sintéticas impregnadas em supostas mensagens de crianças escritas em papel».
A polícia refere ainda que no prosseguimento da investigação foi identificado «o grupo completo, constituído pelos agora detidos, apurando-se que também disseminavam tais produtos ilícitos nas comunidades onde residiam, nomeadamente nas cidades da Guarda e Viseu». Nesta operação, foi dado «cumprimento a 23 mandados de busca domiciliária e não domiciliária, tendo sido cumpridos 19 mandados de detenção» e foi ainda «detido um cidadão, em flagrante delito, por posse de arma proibida».
A PJ informa também que foram realizadas buscas nos EP da Guarda, Coimbra e Lamego e que contou com a colaboração de três equipas cinotécnicas do GISP – Grupo de Intervenção e Segurança Prisional. Em resultado destas diligências foram encontradas e apreendidas cerca de 81 mil euros em dinheiro, 80 doses individuais de heroína, 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diverso calibre, incluindo o das armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e ainda três viaturas.
Em conferência de imprensa, esta manhã, o director do DIC da Guarda, José Branco, explicou que o negócio era dirigido por «um recluso que cumpriu pena por tráfico de estupefacientes no Perú, para onde enviava grande parte do dinheiro do produto das vendas dentro das cadeias». «Não temos muita droga apreendida porque fazia parte do modus operandi desta organização transportarem apenas pequenas quantidades para, se fossem interceptados, nunca serem incriminados por tráfico de estupefacientes”, explicou. José Branco informou que a operação “Tranca Segura” «foi o culminar de muitas diligências, muito sensíveis», acrescentando que, «a dado momento», os inspectores se aperceberam que «havia pessoas específicas que traziam a droga até à porta do EP [Estabelecimento Prisional], que depois entregavam a visitas, que não estavam no esquema criminoso». «A partir daí, reorganizámos toda a investigação, passámos a enfrentar um grupo organizado, cujos mandantes são reclusos», informou ainda o director da PJ da Guarda.
O director do EP da Guarda, Luís Couto, que a investigação se inicia com «pedido de colaboração à PJ em Abril do ano passado», quando «foi detectada a entrada de droga no Estabelecimento Prisional e foi possível recolher algumas provas». O produto era introduzido na prisão de diversas formas, entre as quais cartas e até dentro de um rolo de carne. Luís Couto referiu que os reclusos «nem sabem muito bem aquilo que estão a consumir e, por vezes, essas quantidades são muito elevadas». A propósito, recordou que no EP da Guarda já ocorreu «uma situação muito grave», em que o recluso poderia ter morrido se não fosse atendido o mais depressa possível na Urgência do hospital, que fica a poucos metros de distância.
No comunicado, a PJ salienta que «a operação “Tranca Segura” envolveu demais unidades da PJ, que em estreita colaboração com o DIC da Guarda, contribuíram para o sucesso da acção, designadamente a Directoria do Centro, os Departamentos de Investigação Criminal de Leiria, de Aveiro, a Unidade de Armamento e Segurança – UAS e ainda a Unidade de Perícias Tecnológicas e Informáticas – UPTI, desta Polícia, envolvendo 85 Inspetores, 10 Seguranças e três Especialistas de Polícia Científica».







