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Quando crescer significa assumir o compromisso da Escola de Infantes e Cadetes à Escola de Estagiários, a exigência aumentae o acompanhamento também deveria aumentar

Há um momento particularmente importante no percurso de qualquer futuro Bombeiro. Para alguns, esse momento chega depois de vários anos enquanto Infantes e Cadetes. Para outros, começa precisamente ali, quando entram pela primeira vez num quartel e decide inscrever-se para iniciar o seu percurso. Uns chegam jovens, trazendo anos de ligação à instituição. Outros chegam mais tarde, trazendo consigo experiências pessoais, profissionais e um maturidade diferente.

Os pontos de partida não são iguais, mas o objetivo terá de ser comum: formar Bombeiros competentes, responsáveis e conscientes da missão que decidiram assumir. Quem vem de uma Escola de Infantes e Cadetes não chega sem história.
Conhece o quartel. Conhece pessoas. Reconhece valores, hábitos, tradições e dinâmicas da instituição. Desenvolveu, muitas vezes durante anos, uma ligação forte ao Corpo de Bombeiros. Mas isso não significa que esteja preparado para ser Bombeiro.
Conhecer os Bombeiros e ser Bombeiro são realidades muito diferentes.

Do outro lado está quem entra pela primeira vez. Pode não conhecer um veículo, uma formatura ou a cultura de um Corpo de Bombeiros. Pod precisar de mais tempo para compreender determinadas rotinas e até para encontrar o seu lugar na equipa. Mas pode trazer algo igualmente importante: Experiência de vida. Maturidade. Competência profissionais. Capacidade de liderança. Outras formas de pensar e resolver problemas e uma decisão tomada conscientemente de dedicar parte da sua vida ao serviço dos outros.

É por isso que não acredito que devamos comparar estes dois percursos para determinar qual produz o “melhor” estagiário.
Devemos compreendê-los para perceber como podemos formar melhor cada um deles. É precisamente aqui que se percebe a importância de uma verdadeira política de formação e acompanhamento das futuras gerações e de todos aqueles que escolhem ingressar nos Bombeiros.

A Escola de Estagiários não deve procurar uniformizar pessoas. Deve conseguir transformar diferentes experiências de partida numa identidade comum. A exigência tem de aumentar e o acompanhamento não pode desaparecer. Ao jovem proveniente dos Infantes e Cadetes temos de mostrar que os anos anteriores fora importantes, mas que não lhe conferem qualquer direito a facilitismo. Pelo contrário: conhecer a instituição deve significar compreender ainda melhor a responsabilidade que está prestes a assumir.

A quem chega pela primeira vez, temos de proporcionar uma verdadeira integração. Não podemos esperar que alguém compreenda em poucos meses uma cultura institucional que outros conheceram durante anos. Uns precisarão de descobrir. Outros precisarão de amadurecer. Mas Todos precisarão de aprender. E todos precisarão de sentir que existe alguém responsável por os acompanhar nesse processo.

Falamos frequentemente da necessidade de recrutar novos Bombeiros. Mas recrutar é apenas abrir a porta. Depois, é necessário integrar. E integrar é acompanhar, avaliar, motivar e criar condições para permanecer. O sucesso de uma política de recrutamento mede-se também pela percentagem de estagiário que, anos depois, continuam orgulhosamente e em pleno na atividade de Bombeir. É por isso que acredito que o futuro dos Bombeiros exige uma visão mais ampla sobre recrutamento e formação. Precisamos dos jovens que cresceram nas nossas Escolas de Infantes e Cadetes. Mas precisamos igualmente daquele jovem ou adulto que, sem qualquer ligação anterior aos Bombeiros, entra um dia pela porta do quartel e diz: “Quero ajudar. Quero aprender. Quero ser Bombeiro.” Nenhum deve ser considerado mais importante.

A nossa responsabilidade é perceber de onde cada um parte e garantir que todos sabem onde queremos chegar. É necessário conseguir dar a cada pessoa aquilo de que necessita para atingir o mesmo padrão de exigência. E para isso, voltamos ao mesmo, é necessário acompanhamento, é necessária dedicação e conhecer cada um.

O objetivo é que um dia sejam esses, agora estagiários, a ocupar os nossos lugares. A responder às ocorrências. A tomar decisões. E, eventualmente, a formar aqueles que vierem depois Não basta dizer-lhes que são o futuro. Temos de saber recebê-los, compreendê-los, exigir-lhes e acompanhá-los até estarem preparados para o assumir. Porque o futuro dos Bombeiros não se improvisa. Constrói-se!

Bruno Coutinho, delegado Distrital – JuveBombeiro Distrito da Guarda

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