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«Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas» integra lista nacional do Património Cultural Imaterial

A «Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas» passa a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O despacho de João Soalheiro, presidente do Conselho Directivo da Cultura, Juventude e Desporto – Património Cultural (PC), IP, foi publicado esta Segunda-feira em Diário da República.

Como é referido no documento, a decisão, que teve como base a proposta do Departamento de Bens Culturais do PC, «reflecte os critérios» definidos na legislação, «destacando a importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da identidade da comunidade envolvente e os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu a manifestação do património cultural imaterial na contemporaneidade».

A candidatura daquela dança que é um ex-libris das Cavalhadas de Teivas foi feita pela Associação Cultural Recreativa e Social Teivas (ACRST), em parceria com o Município de Viseu. Como explica a associação no documento, a “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas” consiste «numa manifestação de caráter cultural e social, que se realiza anualmente em Junho, por altura dos Santos Populares, e comemora especificamente o São João». «Trata-se de uma dança especifica inserida num cortejo, com cavaleiros a abrir o cortejo, carros alegóricos, bandas de música, fanfarras, zés pereiras, bandas filarmónicas, gaitas de foles, ranchos folclóricos e grupos etnográficos», refere ainda a ACRST, acrescentando que «o desfile é feito pelas ruas da localidade de Teivas até ao centro de Viseu».

«Todo o trabalho de investigação, recolha de materiais históricos e organização da documentação necessária para este reconhecimento foi desenvolvido pela nossa Associação, em estreita colaboração com a comunidade de Teivas», salienta a Associação numa nota informativa publicada na sua página oficial do Facebook.

No documento de candidatura, é também relatado um historial da vida da ACRST, que tinha sido criada em 1984 e as diversas actividades desenvolvidas, entre as quais «a realização anual de “workshops” para transmissão de todo o saber-fazer, especialmente para a elaboração dos exuberantes chapéus usados pelos “homens” na Dança da Morgadinha, assim como de toda a indumentaria usada pelos dançarinos».

É ainda recordado que, em 2020, a ACRST concorreu ao “Guiness Worl Records”, com vestido inspirado nos trajes da “Dança da Morgadinha”, tendo conquistado o recorde do maior vestido de dança tradicional, com 8,01 metros de altura. Salienta também que para a salvaguarda e protecção da identidade e especificidade da “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas”, a associação considerou «relevante efectuar o estudo e pesquisa em volta da manifestação, tendo reunido diversa informação e documentação através do sócio e colaborador Rui Rodrigues».

Dança da Morgadinha” é uma tradição identitária da comunidade da Freguesia de São João de Lourosa, particularmente da aldeia de Teivas

A Dança da Morgadinha-Cavalhadas de Teivas constitui «uma tradição emblemática e identitária da comunidade da Freguesia de São João de Lourosa, particularmente da aldeia de Teivas, não apenas da comunidade residente, mas daqueles que se encontram a residir em outros pontos do país ou no estrangeiro, e que se deslocam propositadamente para assistir e participar nos festejos». Refere a ACRST, «esta manifestação faz parte fundamental do seu património cultural, das suas vivências, dos seus valores e expressões artísticas», salientando que se trata de «uma tradição bastante arreigada, que, apesar de um período de interregno devido a várias condicionantes, conheceu uma revitalização que se expressou no esforço colectivo, para a qual contribuíram sem dúvida os agentes locais e a própria comunidade».

«No que respeita à representatividade histórica e espacial, há testemunhos que referem que marchas semelhantes existiram também em outras aldeias da freguesia, mas que se extinguiram com o passar dos anos, permanecendo esta tradição historicamente ancorada na comunidade de Teivas, com raízes que remontam ao séc. XVII, mais precisamente ao ano de 1653, a qual constitui um importante factor de identidade sociocultural não só de Teivas e Freguesia de São João de Lourosa, mas também abrangendo a cidade de Viseu, onde tem o seu palco principal», refere a ACRST.

A associação informa ainda que «consideram-se intrinsecamente ligados à Dança da Morgadinha-Cavalhadas de Teivas, como património cultural móvel, os acessórios de natureza material que contribuem para o seu carácter único e peculiar, logo os característicos chapéus dos homens, as sombrinhas das mulheres, os trajes peculiares dos homens e os fascinantes vestidos das senhoras, assim como os reboques dos carros alegóricos, e ainda as bandeiras que acompanham o desfile».

A ACRST refere ainda que, «apesar de Teivas ter como padroeiro São Sebastião, é pelos Santos Populares, em Junho, particularmente pelo São João, que as suas gentes saem à rua com maior entusiasmo, especificamente para celebrar a Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas, uma tradição secular que constitui uma manifestação de carácter socio-cultural desde 1653».

«O conhecimento e prática da tradição foi transmitida, até aos dias de hoje, de geração em geração, envolvendo a comunidade da aldeia e Freguesia de São Jõao de Lourosa, gente de todas as idades, dos mais novos aos mais velhos, todos participam, conforme a capacidade e a disponibilidade de cada um», evidencia a colectividade, acrescentando que «para a comunidade de Teivas e toda a Freguesia de São João de Lourosa a referida manifestação faz parte essencial do seu património cultural e social, das suas vivências, dos seus valores e expressões artísticas».

«Era costume no dia 24 de Junho, dia de São João, manhã cedo, a marcha percorrer as povoações da freguesia espalhando o colorido, a alegria e a animação. Esta manifestação desde os primórdios até à década de 60 do sec. XX, era só praticada por homens, em que para fazerem os pares da dança, metade deles se vestia com trajes de mulher, acompanhados por um cavaleiro, dois máscaros (homens com máscaras de madeira) e um “jazz” (grupo de músicos) e desfilavam pelas ruas das aldeias da freguesia, visitando casas e quintas senhoriais, onde eram recebidos com comida e bebida», conta a ACRST. Mas, «com a chamada dos homens para a guerra colonial e com a emigração, esta manifestação que era só de homens, deixou de ser praticada (há testemunhos que esta tradição também existia em outras localidades da freguesia, sendo que também se extinguiram pela mesma razão)».

Em 1984, num almoço de confraternização entre amigos de Teivas, «a nostalgia da Cavalhada falou mais alto e decidiram criar uma associação e reactivar a secular tradição da “Marcha da Cavalhada”, actual Dança da Morgadinha». O grupo viria a criar a associação e, em 1985, a marcha saiu à rua, que contou com uma forte participação de mulheres. Conta a ACRST que «não desfilaram somente pelas ruas da aldeia e freguesia, como era usual até à década de 60, decidiram ir até à cidade de Viseu mostrar a sua tradição e tal foi o sucesso que passou desde então a ser este o trajecto percorrido anualmente».

«Para enriquecer o cortejo que passaria a ir à cidade, foram incorporando carros alegóricos- artísticos e tradicionais, cavalos, grupos de zés pereiras, bandas filarmónicas, fanfarras, ranchos folclóricos, grupos etnográficos, gaitas de foles, gigantones, cabeçudos, grupos de música e a fechar o cortejo então a secular, distinta, exuberante e colorida, a principal atracção, com cerca de 25 pares dançantes, a Dança da Morgadinh», explica a colectividade, adiantando que «o cortejo na totalidade envolve cerca de 500 participantes, crianças, jovens e adultos, femininos e masculinos, provenientes de Teivas, das aldeias vizinhas da Freguesia de São João de Lourosa e dos grupos convidados de outras localidades».

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