Terça-feira, 22 Setembro, 2026
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Do Hotel Turismo à Ti Jaquina: a Guarda precisa é de fazer acontecer

Podemos não gostar porque é o partido A ou o partido B. Podemos discutir quem teve primeiro a ideia, quem anunciou, quem tentou, quem prometeu ou quem merece ficar na fotografia. Eu, cada vez mais, tenho menos paciência para isso.

No final do dia, aquilo que interessa às pessoas é bastante mais simples: os problemas estão resolvidos ou não? As obras avançam ou não?

E há dois projetos que, por razões completamente diferentes, dizem muito à Guarda e aos guardenses: o Hotel Turismo e a tão falada Variante da Ti Jaquina.

O Hotel Turismo não é apenas um edifício. Para muitos de nós, faz parte da memória da cidade. Faz parte das nossas vidas, das histórias que ali aconteceram e de uma determinada Guarda que todos conhecemos.

Sei que existiram tentativas anteriores para encontrar uma solução. Sei, inclusivamente, do esforço feito durante governos do Partido Socialista e seria intelectualmente desonesto apagar esse trabalho apenas porque agora existe outra cor política no Governo. Mas também devemos ser capazes de reconhecer o momento atual.

Ainda não há o preto no branco que nos permita afirmar que o assunto está definitivamente fechado. Mas há, talvez como há muito não existia, fortes indícios de que desta vez pode mesmo acontecer.

E isso já é uma mudança importante.

Pessoalmente, gosto da solução que está em cima da mesa para o Hotel Turismo. Gosto da ligação do promotor à atividade, da perspetiva de recuperar aquele espaço e, sobretudo, da possibilidade de devolver vida e centralidade àquela zona da cidade.

Durante demasiado tempo habituámo-nos a passar pelo Hotel Turismo e a olhar para ele quase como um monumento à nossa incapacidade coletiva de resolver problemas.

Está na hora de voltar a ser um hotel. E acredito que poderá voltar a ser uma referência da Guarda. Depois temos a Variante da Ti Jaquina.

Outra novela guardense.

Podemos discutir o investimento. Podemos discutir o custo de oportunidade do capital. Podemos perguntar se aqueles milhões teriam maior retorno aplicados noutras áreas. Podemos discutir o financiamento e até o impacto futuro nas contas do Município.

Tudo isso é legítimo e faz parte do debate público. Mas também convém ouvir aquilo que a cidade diz há anos.

Os guardenses querem a Variante da Ti Jaquina. Ponto.

E, se esta obra for concretizada, ficará inevitavelmente ligada à governação do atual Presidente da Câmara da Guarda. Não devemos ter receio de reconhecer isso apenas porque se gosta mais ou menos de quem governa.

Quem exerce funções públicas deve ser escrutinado pelas suas decisões, mas também é legítimo reconhecer aquilo que consegue concretizar.

Eu quero uma Guarda onde os projetos não passem décadas entre estudos, anúncios, intenções, reuniões, mudanças de Governo, mudanças de Câmara e novas apresentações em PowerPoint.

Quero uma Guarda que feche assuntos.

Talvez seja essa uma das nossas doenças: gastamos demasiado tempo a discutir quem teve a ideia e demasiado pouco a garantir que alguém a concretiza.

No Hotel Turismo houve trabalho de vários governos e de várias pessoas? Houve. Reconheça-se.

É com este Governo que surgem agora fortes indícios de que finalmente poderemos ter uma solução? Reconheça-se também.

A Variante da Ti Jaquina é discutível do ponto de vista económico e financeiro? Naturalmente. Mas, se o atual executivo municipal concretizar uma obra reclamada durante tantos anos pelos guardenses, esse será um facto que ficará associado a este mandato.

Não precisamos de gostar todos dos mesmos partidos para reconhecer aquilo que é positivo para a nossa terra.

Eu não quero saber se uma solução vem da esquerda, da direita, do centro ou de quem não sabe muito bem onde se senta. Quero problemas resolvidos. Quero obras feitas. Quero investimento. Quero uma cidade que avance.

Porque anunciar é relativamente fácil. Estudar também. Prometer ainda mais.

Difícil é fechar. Concretizar. Fazer acontecer.

E isso, venha de quem vier, vale a pena reconhecer. Porque, no fim, governos passam, presidentes passam, partidos passam.

A Guarda fica.

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