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Iberdrola quer novo parque eólico nos concelhos de Celorico da Beira e Guarda

A Iberdrola pretende avançar com a construção de um novo parque eólico nos concelhos de Celorico da Beira e Guarda, que consiste na instalação de 14 aerogeradores, cada um com uma potência unitária de 7,2 megawatt (MW), perfazendo uma potência total instalada de 100,8 MW. Um dos passos para a sua viabilização já foi dado com consulta pública, que decorreu entre os dias 6 e a passada Quarta-feira, da proposta de definição de âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), que, como refere o documento, tem como objectivo «a identificação, análise e selecção das vertentes ambientais significativas que podem ser afectadas pelo projecto e sobre as quais o EIA deve incidir». «A decisão sobre a PDA não constitui uma decisão sobre o projecto, mas sim sobre o conteúdo do EIA», esclarece a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade que promoveu a consulta pública, adiantando que a decisão sobre o projecto do Parque Eólico da Guarda (PEG) «ocorre após um sequente procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental».

O PEG engloba nove freguesias do concelho da Guarda: Alvendre, Arrifana, Cavadoude, Guarda, Pêra do Moço, Porto da Carne, Sobral da Serra, Vila Franca do Deão e União de Freguesias de Avelãs de Ambom e Rocamondo. Relativamente ao concelho de Celorico da Beira, abrange seis freguesias: Baraçal, Forno Telheiro, Lajeosa do Mondego, Ratoeira, União das Freguesias de Açores e Velosa e União das Freguesias de Celorico (São Pedro e Santa Maria) e Vila Boa do Mondego.

A APA esclarece que, «por forma a antecipar a recolha de informação relevante à compatibilidade do projecto, durante a presente fase, foram contactadas diversas entidades com competências relevantes no âmbito das características específicas do project, em particular no que respeita a infraestruturas e sistemas suscetíveis de serem afectados pela instalação de aerogeradores, nomeadamente devido à sua altura e potencial interferência com servidões aeronáuticas, sistemas de telecomunicações, radares e outras infraestruturas sensíveis». Adianta que «os pedidos de informação foram remetidos durante o mês de Maio de 2026, numa fase preliminar do desenvolvimento do projecto, com o objectivo de assegurar uma identificação antecipada e tão completa quanto possível de eventuais condicionantes à sua implantação, contribuindo para uma definição de âmbito do EIA mais informada e robusta». «À data de elaboração da presente PDA, os pedidos de informação remetidos às entidades com competências relevantes encontram-se em fase de resposta», informa ainda aquela entidade.

O Parque Eólico da Guarda integra ainda a construção de uma linha eléctrica de muito alta tensão (LMAT) a 220 kV (Kilovolt equivale a mil volts), destinada à ligação à subestação Rede Eléctrica de Serviço Público de Chafariz, com cerca de 18 km. Terá capacidade para produzir cerca de 263 gigawatts hora (GWh) de electricidade por ano, «com base em valores típicos de factor de capacidade para o recurso eólico na região Centro, a confirmar e detalhar em fase de EIA».

APA informa que até à elaboração da proposta «não foram identificadas incompatibilidades que inviabilizem a implementação do projecto»

Na proposta, consultada pelo jornal “Todas as Beiras”, é referido que, com base na informação recepcionada até à sua elaboração, «não foram identificadas incompatibilidades que inviabilizem a implementação do projecto», ressalvando que «o processo de consulta a entidades se encontra ainda em curso, não tendo sido recepcionadas respostas de todas as entidades contactadas à data de elaboração da presente PDA». E esclarece que «as condicionantes identificados pelas entidades consultadas serão considerados no desenvolvimento subsequente do projecto e avaliados em detalhe no âmbito do EIA, de forma a assegurar a sua adequada compatibilização». «Neste contexto, a informação disponível será complementada e actualizada durante o desenvolvimento do EIA, integrando eventuais contributos adicionais que venham a ser emitidos pelas entidades competentes», acrescenta.

Como se pode ler no documento, «na envolvente próxima da área de estudo localizam-se ainda diversos parques eólicos existentes, designadamente o Parque Eólico de Sincelo, a 1 km Este do AEG [aerogerador] mais próximo, e o Parque Eólico da Guarda I, a 1 km sul, coincidindo ambos com o limite da área de estudo». Os parques eólicos de Prados e de Serra do Ralo–Videmonte situam-se igualmente na envolvente, a cerca de 5 quilómetros, informa ainda a APA.

No documento, é também referido que «a área de estudo sobrepõe-se parcialmente ao projecto licenciado do eixo de muito alta tensão Fundão–Vilarouco (400 kV), da REN [Redes Energéticas Nacionais] e os corredores alternativos da LMAT intersectam áreas associadas às linhas eléctricas existentes na envolvente, de ligação à subestação de Chafariz da REN e da subestação de Celorico da Beira da E-Redes, devendo ser assegurada a compatibilização entre estas infraestruturas e a LMAT a desenvolver no âmbito do PEG [Parque Eólico da Guarda]».

A APA salienta que este projecto «enquadra-se directamente nos objectivos nacionais de expansão das energias renováveis, tirando partido do recurso eólico disponível e da proximidade a infraestruturas da rede eléctrica, designadamente a subestação de Chafariz». Adianta que «a decisão de desenvolvimento do PEG resulta de uma análise integrada de natureza técnica, económica e ambiental, que identificou condições favoráveis ao aproveitamento do recurso eólico, à viabilidade de ligação à RESP e à compatibilidade com as condicionantes territoriais e ambientais existentes».

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