As obras de construção do hospital privado – “Hospital São Mateus Guarda” , junto ao parque industrial, deverão começar até ao final de Junho e terminar dois anos depois. A informação foi adiantada esta tarde aos médicos por Nuno Barroso, director geral da Embeiral Vida, e reafirmada ao jornal “Todas as Beiras” no final deste encontro com os profissionais de saúde destinado a apresentar o projecto, que envolve um investimento de 25 milhões de euros. O responsável informou que, enquanto decorrerem as obras, vão sendo criadas as várias equipas que depois vão trabalhar no hospital, especificando que serão necessários «cem médicos, dependendo das especialidades e do desenvolvimento de cada uma delas».
Durante a sessão, que decorreu na sede da Secção Subregional da Guarda da Ordem dos Médicos, o representante da empresa evidenciou que «o sucesso deste projecto depende do sucesso pessoal e profissional dos médicos». Explicou que, cada vez que ao implementar um novo projecto, «é com as pessoas da terra» que o querem construir «porque são elas que conhecem a população e conhecem as necessidades». «Resolvemos, em primeira mão, vir falar com os médicos, que são a base do hospital, para além dos enfermeiros dos auxiliares e dos técnicos, e começar, desde já, a trabalhar com eles. Ou seja, na criação de equipas, na criação dos próprios projectos pessoais», adiantou Nuno Barroso.
Tanto o director-geral como o director clínico do grupo, Ricardo Patrão, evidenciaram durante a sessão que o “Hospital São Mateus Guarda” não visa concorrer com as unidades de saúde pública mas ser um complemento. O director clínico salientou mesmo que poderá «acrescentar uma boa qualidade de resposta à população da Guarda e também mais oportunidades de trabalho para as pessoas da região e, se calhar vai ser uma forma de fixar médicos». E adiantou que espera contar com os médicos da Guarda para serem formadas as equipas para este novo hospital.
Relativamente às linhas gerais do hospital, dadas a conhecer em Fevereiro do ano passado no decorrer de uma reunião do executivo municipal, há apenas ligeiras alterações ao nível da arquitectura, tendo em vista o aumento de um piso e a criação de mais espaço no exterior para estacionamento, explicou o mesmo responsável. Como adiantou na altura aos jornalistas Nuno Barroso, está previsto que o hospital venha a contemplar 30 camas, dois blocos operatórios, Imagiografia até à ressonância, consulta externa e urgências 24 horas por dia. O projecto será desenvolvido pela Cliniform Saúde, empresa do grupo Embeiral Vida, em parceria com as restantes empresas do grupo de saúde.



Polémica com a venda do terreno
De recordar que o terreno onde vai ser construído o novo hospital esteve no centro da polémica em várias reuniões do executivo municipal o ano passado, presidido por Sérgio Costa.
De acordo com o documento consultado pelo “Todas as Beiras”, o terreno em causa, de 10.218.50 m2, esteve à venda em hasta pública, tendo concorrido duas empresas, a Embeiral IMO2 (que obteve 100 por cento na avaliação e saiu vencedora) e a ISABRUFF-Sociedade Imobiliária, S.A. (cuja proposta foi excluída devido à falta de um documento previsto no Programa do Procedimento considerado «essencial ao pleno conhecimento e completa caracterização da proposta e cuja falta não é susceptível de suprimento»).
Aquela área, de 10.218.50 m2, viria a ser vendida por cerca de 115 mil euros à empresa Embeiral. O valor da venda e a própria hasta pública levaram o PS a avançar com uma proposta para ser anulado o processo de venda, mas que depois viria ser retirada. Em declarações aos jornalistas em Fevereiro do ano passado, a então vereadora socialista Adelaide Campos explicou a posição do partido sobre o processo, dizendo que não estava em causa a alienação de um terreno para um hospital privado, mas «a transparência ou a falta dela que foi feita nisto tudo». Também o então vereador do PSD Carlos Chaves Monteiro disse aos jornalistas que «a hasta pública foi o culminar de um trabalho que o executivo estava a fazer com o objectivo de favorecer uma empresa».
Poucos dias depois, o PS da Guarda veio dizer que o projecto do hospital privado na Guarda «poderia ter avançado de forma mais célere e eficaz, se a gestão do processo, por parte da autarquia, fosse mais correcta e ética». Em conferência de imprensa, o líder da concelhia socialista, António Monteirinho, referiu que «a falta de diálogo com a oposição, o descuido na articulação com os diversos órgãos competentes criou um ambiente de incerteza, prejudicando a concretização da iniciativa».
O presidente da autarquia viria a contestar os argumentos e a sustentar que o processo de hasta pública foi «igual a tantos outros». «Para que não haja dúvidas, nós pedimos um parecer jurídico à nossa consultora jurídica para estarmos bem seguros, porque poderia existir qualquer passo que tivesse sido menos bem dado», informou o autarca. Como é referido nesse parecer, lido parcialmente pelo autarca na reunião de Fevereiro do ano passado, «não se vislumbra que o procedimento padeça de qualquer um dos vícios , irregularidades e ilegalidades que lhe são assacadas na proposta do PS apresentada em 3/2/2025 nos termos e para efeitos do disposto do regimento da Câmara Municipal da Guarda».




