Das nove propostas apresentadas pelos estudantes dos Agrupamentos de Escolas Afonso de Albuquerque (AEAA), da Sé (AES) e da Ensiguarda na Assembleia Municipal Jovem, que decorreu na tarde de Sábado no edifício dos Paços do Concelho da Guarda, uma delas originou alguma polémica, tendo o presidente da Câmara e o presidente da Mesa da Assembleia Municipal, que também presidiu a esta sessão, aconselhado os alunos a não usarem as expressões «falta de idoneidade e transparência», termos que constavam do documento intitulado “Pela Transparência Democrática. Acesso à informação, participação nas decisões e confiança dos jovens na Guarda”.
O autarca da Guarda, Sérgio Costa, chegou mesmo a irritar-se com o estudante que tinha sido o porta-voz da proposta, quando este o tentou interromper durante a intervenção que estava a fazer sobre as propostas. «Não me interrompa, se faz favor», afirmou, em tom irritado e por diversas vezes, o autarca.
Pouco passava das 16h30 quando Tiago Pires apresentou, enquanto porta-voz da AE da Sé, a proposta que deu azo a alguma discussão e a acusações de «falta de originalidade» e «colagem clara» à JSD e ao Chega. No documento intitulado “Pela Transparência Democrática. Acesso à informação, participação nas decisões e confiança dos jovens na Guarda”, é referido que, «tendo em linha de conta que a transparência democrática é o princípio de que o poder público deve actuar de forma aberta, clara e acessível, para que os cidadãos possam acompanhar, compreender e fiscalizar as decisões do executivo; a transparência institucional é um pilar essencial da nossa democracia; os jovens desinteressam-se cada vez mais pela política, não pelo suposto conteúdo aborrecido, mas pela falta de idoneidade e transparência dos responsáveis políticos, ilustrada pelo sentimento popular de desconfiança: “Os políticos são todos corruptos.”». Nesta proposta, é ainda referido que «muitos jovens sentem-se afastados da política por falta de informação clara e acessível, pelo que o acesso à informação pública deve ser simples, transparente e adaptado a todas as gerações». Por isso, é proposto no documento que seja feita uma recomendação à Câmara para que haja «transmissão pública de todas as reuniões de Câmara, cuja divulgação seja permitida por lei, assegurando igualmente a publicação regular, clara e acessível das respectivas actas, bem como das actas da Assembleia Municipal».
Francisco Borges Soeiro, que se absteve tal como outros 13 alunos, não poupou críticas à proposta, dizendo que «havia uma falta de originalidade e criatividade», uma vez que era idêntica à que «já tinha sido apresentada pela JSD e pelo Chega», o que demonstrava que «havia uma colagem clara a estas forças políticas», salientando que «não estão ao serviço de nenhum partido político». Uma opinião que não foi comungada por outros estudantes, um dos quais afirmou que, apesar de aqueles dois partidos já terem apresentado uma proposta semelhante, isso não provava que houvesse «interferência política» e que «os jovens também podem ter o seu pensamento» que poderá coincidir com o dos políticos. A discussão entre alguns alunos não impediu que a proposta viesse a obter 48 votos favoráveis e 14 abstenções.
Na intervenção final desta sessão, o presidente da Câmara chamou a atenção dos alunos para que não usassem expressões como «falta de idoneidade e transparência». «No vosso futuro político, pessoal e profissional, devem evitar usar estas expressões. É uma falta de respeito. O que pretendemos é que haja elevação na Assembleia Municipal», salientou Sérgio Costa.
Informou que, por mês, há duas reuniões do executivo municipal e que uma delas é pública, à qual pode assistir «qualquer pessoa». Quanto às actas das reuniões, por enquanto não estão acessíveis no portal por causa do ataque informático ocorrido há cerca de dois meses e meio, mas «todas as deliberações da câmara são publicadas naquela revista do município», bastando aceder ao “QR Code”, e também divulgadas «nas redes sociais».
O autarca não quis deixar passar a oportunidade para dizer aos jovens deputados que não deviam usar as expressões «falta de idoneidade e transparência». De imediato, o porta-voz da proposta tentou interromper a declaração, mas Sérgio Costa reagiu utilizando a habitual expressão: «Não me interrompa, se faz favor. Há respeito nesta casa. Às vezes há alguns hábitos que tendem a não ser respeitados».
O presidente da Mesa da Assembleia Municipal interveio de seguida para dizer que «enquanto os deputados intervieram, o senhor presidente da Câmara esteve calado. Agora, o senhor presidente da câmara está a falar» e os deputados têm que «estar calados». «É tão simples quanto isto. Mas espero não voltar a repetir porque é mesmo isto. Agora calamo-nos. Senhor presidente faça favor», acrescentou José Relva, dando novamente a palavra a Sérgio Costa, que prosseguiu, aconselhando os jovens a não usarem aquele tipo de expressões, como «falta de idoneidade e transparência». «Isto não vos leva a lado nenhum. Isto é uma falta de respeito à pessoa com quem vocês falam, independentemente de ser o Sérgio Costa, a Cláudia Guedes, o António Fernandes ou qualquer um dos outros vereadores aqui presentes. Evitem este tipo de discussão que não vos leva a lado nenhum a não ser à baixa política, porque hoje em dia aquilo que nós pretendemos é elevação».





