A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) prevê, «ao longo desta semana, recorrer à água armazenada na albufeira da barragem do Caldeirão [no concelho da Guarda] para realizar descargas controladas, com o objectivo de reforçar temporariamente os caudais, melhorar as condições de escoamento e contribuir para a recuperação das condições ambientais do rio», refere aquele organismo em comunicado publicado no site oficial.
A APA informa que «as descargas serão devidamente programadas e realizadas de forma controlada, procurando compatibilizar a necessidade de reforço dos caudais com os restantes usos do rio», adiantando que «a operação será planeada de modo a minimizar eventuais impactos nas zonas balneares localizadas a jusante, nomeadamente durante o período diurno».
A agência refere que «a situação de reduzido escoamento no rio Mondego, a montante da barragem da Aguieira, tem vindo a suscitar preocupação» nos municípios de Celorico da Beira, Fornos de Algodres e Guarda, no distrito da Guarda, e de Nelas, no distrito de Viseu.
A APA justifica que «as condições meteorológicas registadas nas últimas semanas têm contribuído de forma significativa para esta situação». «De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Julho de 2026 foi, em Portugal continental, o mês de Julho mais seco deste século e o oitavo mais seco desde 1931, tendo sido registada uma precipitação média de apenas 0,8 mm, correspondente a menos de 8% do valor normal para o mês», adianta o organismo. Esta situação de «precipitação excepcionalmente reduzida, associada às elevadas temperaturas e à ocorrência de sucessivas ondas de calor, tem contribuído para uma diminuição acentuada das disponibilidades hídricas».
Informa ainda que «a reduzida disponibilidade de água começa também a produzir efeitos visíveis em zonas de menor circulação, empoçamentos e pequenas albufeiras, onde se observam sinais de eutrofização e de proliferação de algas», alertando que esta situação «merece particular atenção devido aos potenciais efeitos na qualidade da água e no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos». «Esta Agência continuará a monitorizar a evolução dos caudais e da qualidade da água e a fiscalizar os usos dos recursos hídricos a montante, com vista a assegurar uma gestão equilibrada das disponibilidades existentes e a contribuir, tanto quanto possível, para a reposição das condições adequadas aos diferentes usos do rio».




