Há um mês, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, afirmou numa reunião do executivo municipal que não fazia sentido a Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) tomar partido por qualquer uma das duas candidaturas da região a Capital Portuguesa da Cultura, concretamente a Guarda e a Covilhã. Em resposta à questão colocada pela vereadora da coligação PSD/CDS/IL, Alexandra Isidro, como é que se vai posicionar a CIM face às duas candidaturas, chegou mesmo a dizer que, a haver uma escolha, seria pela Guarda uma vez que a maioria dos concelhos que integram a comunidade são do distrito. Certo é que esta Terça-feira ficou a saber-se que o presidente da CIMRBSE, Carlos Condesso, apoia a candidatura da Covilhã. No testemunho publicado na página oficial do município covilhanense, o também autarca de Figueira de Castelo Rodrigo justifica que a candidatura daquela cidade «representa uma afirmação clara da capacidade dos territórios do Interior para criarem, inovarem e ocuparem um lugar central na vida cultural do país».
«A Covilhã reúne uma identidade singular, construída a partir da sua história, do património industrial e da tradição dos lanifícios, mas também de uma dinâmica contemporânea fortemente ligada às artes, à criatividade, ao conhecimento e à inovação», sustenta o dirigente da CIMRBSE, acrescentando que «é um território onde o património dialoga diariamente com novas linguagens artísticas e onde a cultura assume um papel determinante na coesão, na valorização das comunidades e na projecção do território».
E diz mais: «Enquanto presidente da CIMRBSE, considero esta candidatura uma oportunidade para afirmar não apenas a Covilhã, mas toda uma região que possui um património cultural, humano e paisagístico ímpar a nível mundial. Ser Capital Portuguesa da Cultura será uma oportunidade para se reforçar redes, criar pontes entre municípios, instituições, agentes socioculturais e comunidades, demonstrando que a nossa cultura é um poderoso instrumento de desenvolvimento e de futuro para o Interior de Portugal.»
Esta tomada de posição de Carlos Condesso está longe de ir de encontro às declarações proferidas pelo autarca da Guarda na reunião do executivo do passado dia 10 de Agosto, quando questionado pela vereadora Alexandra Isidro sobre qual seria a posição da Comunidade Intermunicipal. «Sobre a CIM, nós não vamos forçar a CIM a tomar uma posição, por razões óbvias. Sejamos realistas. Realistas e não utópicos: se na mesma CIM há duas candidaturas, é mau para a CIM tomar partido pela Guarda ou pela Covilhã», respondeu Sérgio Costa. Na acta dessa reunião pode ainda ler-se: «Olhe, se calhar, se fossemos à maioria da CIM, a maioria está no distrito da Guarda. Até podia vir pela Guarda».
O autarca acrescentou que, «para o ambiente, para o espírito CIM» não fazia «sentido a CIM tomar uma posição, a menos que seja uma posição muito holística e que dê para tudo, para a esquerda e para a direita – não sob o ponto de vista ideológico, mas sob o ponto de vista das estratégias», salientando que «não ficaria bem» à comunidade Intermunicipal «tomar essa posição».
Oito municípios querem entrar na corrida a Capital Portuguesa da Cultura em 2028
Oito municípios já anunciaram estar interessadas em ser Capital Portuguesa da Cultura em 2028, entre os quais a Covilhã e a Guarda, que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região das Beiras e Serra da Estrela. Inicialmente, o prazo para as autarquias de Amarante, Barreiro, Covilhã, Guarda, Leiria, Loulé, Óbidos e Setúbal apresentarem as respectivas candidaturas terminaria este mês mas foi alargado até 3 de Dezembro. O projecto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em Dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, este ano. Com o alargamento do prazo de candidaturas, o anúncio da cidade vencedora já não deverá ser no dia 9 de Dezembro.
À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de 1 milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).
As propostas serão avaliadas por um júri independente presidido por Guilherme d’Oliveira Martins. Também fazem parte do júri Sara Brighenti, subcomissária do Plano Nacional das Artes, o empresário Álvaro Covões e Carla Barros, da Casa da Arquitectura.
O aviso do concurso estabelece que as candidaturas devem apresentar um programa cultural criado para o ano do título, mas integrado numa estratégia municipal de médio e longo prazo. A avaliação terá em conta a qualidade, a coerência e a inovação do programa artístico, a capacidade de execução, a sustentabilidade financeira e o potencial de legado cultural, social e económico.




