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Membros do “comité da greve” estudantil de 1975 no então Liceu Nacional da Guarda (actual Escola Secundária Afonso de Albuquerque) relataram hoje aos alunos alguns dos episódios da histórica paralisação que terminou após a intervenção militar

Quatro elementos do “comité da greve” estudantil de 1975 no então Liceu Nacional da Guarda (actual Escola Secundária Afonso de Albuquerque) marcaram presença esta manhã naquele estabelecimento de ensino para uma evocação histórica da paralisação, que tinha começado no dia 18 de Fevereiro desse ano e só viria a terminar 18 dias depois quando os militares do Regimento de Infantaria 12 obrigaram os estudantes, que nesse momento se tinham sentado no chão a cantar o Hino Nacional, a abandonar o edifício.

Carlos Andrade (advogado), Carlos Baía (professor aposentado), João Codina (sociólogo aposentado) e José Ponte (procurador jubilado) contaram esta manhã aos cerca de 200 alunos presentes no salão da escola os episódios de uma greve que marcou a cidade e a história do ex-Liceu, na altura frequentada por aproximadamente 1900 estudantes. Antes desta sessão, em que também intervieram o presidente da Câmara (Sérgio Costa), o director do Agrupamento de Escolas (José Carvalho) e António José Dias de Almeida (docente aposentado), foi descerrada uma placa evocativa.

Como o jornal “Todas as Beiras” já contou (ver texto anterior sobre este tema), dia 17 de Fevereiro de 1975 é a data que marca o início de uma greve geral de alunos do então Liceu Nacional da Guarda e ocupação das instalações (sem ser permitida a presença de alunas durante a noite), num protesto contra o publicação do decreto sobre gestão das escolas e as médias de dispensa dos exames do 5.º ano (actual 9.º ano) e 7.º ano (actual 12.º ano).

A decisão de paralisar a escola foi tomada numa Reunião Geral de Alunos (RGA) e visava obrigar o Ministério da Educação a mudar as regras das médias e do acesso ao ensino superior, bem como exigir democraticidade na gestão interna. A greve durou 18 dias, tendo terminado quando os militares do Regimento de Infantaria 12 obrigaram os estudantes a abandonar o edifício.

Alguns dos acontecimentos ocorridos durante o período de greve foram sendo relatados no “Jornal de Greve”, que contém textos, poemas e “cartoons” feitos pelos alunos, alguns com idades entre os 11 e os 14 anos, como é, aliás, referido num dos textos incluídos na edição N.º 3 desse jornal (datada de 25 de Fevereiro de 1975).

Tal como na Guarda, dezenas de liceus do país (de Bragança a Olhão) paralisaram, originando uma onda nacional contra o Ministério da Educação. Numa das edições do “Jornal da Greve”, do Liceu da Guarda, são enumerados diversos outros estabelecimentos de ensino na mesma situação: Gil Vicente, D. Pedro Nunes, D. Duarte, Abrantes, Covilhã, Viseu, Mirandela, Bragança, D. Maria, Chaves, Viana do Castelo, Vila Real, Lamego, Figueira da Foz, D. Pedro II, José Falcão, Carolina Michaelis, Caldas da Rainha, Tomar, Guimarães, Cascais, S. Pedro do Sul, Setúbal, D. Pedro V, Olhão, Padre António Vieira, Leiria e S. João da Madeira.

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