Morreu o cantor e compositor Luís Represas, conhecido pela sua carreira com os Trovante, vítima de doença prolongada. Iniciou a sua carreira a solo em 1993, depois da separação dos Trovante, ao longo da qual gravaria canções como “Feiticeira” e “Timor”, dedicada à luta pela independência do povo timorense. Comemorava este ano cinco décadas de carreira e, como auge dessa celebração, tinha dois concertos marcados para os Coliseus de Lisboa e do Porto, em Abril de 2027. Luís Represas tinha 69 anos e não resistiu a um cancro. A morte foi confirmada pela sua agência, a Sons em Trânsito.
Num texto publicado na sua página oficial, António José Seguro, presidente da República, escreve que «há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo». «A partida do Luís Represas não encontrará silêncio. Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu. Partiu o homem. Ficou a voz. Uma voz que soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu. Das praças aos palcos, dos dias de festa aos momentos de recolhimento, o seu talento ensinou-nos que há canções capazes de vencer o tempo», refere António José Seguro.
Na sua opinião, «há vidas que terminam. Há músicas que pertencem à eternidade» e «as músicas do Luís Represas são dessas. Porque há artistas que deixam discos. Outros deixam memória. Os maiores deixam um país a cantar. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções».
«Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão. E abraço, com profunda solidariedade, a sua família, os seus amigos, os seus companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, da nossa própria casa», afirma o presidente da República. Adianta que «enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece».
«Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida. Recordo a noite fantástica, no passado dia 21 de março. Recordo tantos momentos bons ao longo dos anos. Saudades do futuro, Luís… Talvez um dia te encontre…», escreve no final do texto António José Seguro.




