A crueza dos números, (que não deve ser confundida com a crueldade que se lhes pode apontar) vêm mostrar que, apesar dos bons indícios apresentados pela Universidade Politécnica da Guarda (UPG) na primeira fase de colocações (50,5% das vagas ocupadas), após as matrículas, pouco mais de 40% das vagas foram, na realidade, preenchidas.
Num ano atípico, em que a digitalização das provas não correu bem, poderemos ser tentados a imputar esta redução no número de matrículas a esse acontecimento. Muitos alunos aguardam ainda por resultados de reclamações e terão, alguns deles, oportunidade de realizar uma terceira fase de exames.
A nível nacional também o número de alunos que não se matriculou nos cursos cresceu, fazendo com que, desta vez fossem mais as vagas a preencher na 2.ª fase.
No entanto há outras razões para onde somos convidados a olhar e que não têm a ver a qualidade de ensino da UPG, a interioridade da Guarda, e já agora o frio e o calor que suportamos nas estações do ano.
A oferta de cursos superiores obedeceu sempre a uma lógica de empregabilidade que nos novos tempos que vivemos pode estar a mudar.
Não nos podemos, assim, admirar que cursos que até aqui apresentavam boas taxas de empregabilidade surjam sem candidatos, onde é cada vez mais difícil recrutar trabalhadores. É o caso da Escola Superior de Turismo e Hotelaria onde as vagas se encontram quase todas por ocupar. Os jovens fogem desses empregos como o Diabo da Cruz… o que também acontece no caso da Educação.
Surpreendente é dar conta de que tantas vagas ficaram em aberto na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, sobretudo nas Engenharias Informática e Eletrónica e de Computadores cursos em que a oferta das Universidades das grandes urbes vem concorrer de forma direta roubando candidatos a quem tanto pode oferecer.
Contas certas, só depois de encerrados todos os capítulos desta saga anual que nos faz comparar o nosso Ensino Superior com o dos distritos vizinhos. E aí, já sabemos que perdemos sempre para a cidade que fica mais perto de nós, a Covilhã.
Até por isso será ocasião de acertar a bússola e encontrar rápido um rumo que eleve a Guarda a Capital Portuguesa da Cultura. É que enquanto ao lado se cerraram fileiras com nomes das artes, por cá vamos ainda tratando de papéis e esquecendo que uma boa estratégia de marketing devia estar já a anunciar nomes fortes de apoiantes.




