Quinta-feira, 30 Abril, 2026
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Estupidificação digital

As redes socais trouxeram à realidade a quantidade de energúmenos* que nos rodeiam. Fosse a “coragem” real igual à virtual e viveríamos num mundo ainda mais violento e intolerante ao que assistimos nos dias que correm.

O conceito de liberdade adulterou-se completamente com a banalização do digital, assim como o de direitos e deveres, evocados em função do interesse.  O “estou num país livre, digo o que penso” só resulta em sentido unilateral, sobretudo naqueles que só se aproveitam do córtex cerebral para armazenar o mofo conservadorista que teima em desaparecer. São uma espécie de ditadores de bolso, grande demais para os argumentos vazios de lógica, acima de tudo aos olhos dos Direitos Humanos. Uma espécie de polícia de costumes, de moda, de formas físicas que não se adaptam ao que entendem por correcto.

Todos são médicos, engenheiros, advogados, treinadores, e até espiões. Uns Mata Hari com altas patentes em “achismo” e teorias da conspiração, que na quase total dos casos resultam em obstipação mental.

É preocupante porque são muitos e cada vez mais os que utilizam as redes sociais para evacuarem esta perigosa verborreia. É preocupante porque sabem que a mensagem se espalha a uma velocidade estonteante pelas mentes de quem não se dá ao trabalho de questionar, de quem come e cala. O descrédito em quem governa não pode ser desculpa, nem a ignorância para o que dá jeito. A utilização de uma dualidade de critérios que deita por terra qualquer argumento com que tentam justificar qualquer que seja a sua tomada de posição num determinado assunto é prova disso. É mais cómodo seguir o rebanho, a “fabulização” da realidade, tornar-se parte da seita, e Deus os livre – ideologias teológicas à parte – de quem pense diferente.

O fenómeno é transversal a todas as áreas, mas é no futebol, ou melhor, na clubice aguda, que a troca de galhardetes assume proporções bíblicas ao nível da estupidez de adeptos fanáticos. O futebol é o que menos lhes interessa, é o ódio que lhes alimenta o ego insuflado. Bani-los de todos os estádios, de todas as competições, de todos os escalões, profissionais ou não, era um enorme favor que se fazia ao desporto em particular e à humanidade em geral.

Uma palavra de conforto às pobres mães dos treinadores, dos jogadores e da equipa de arbitragem, entre outros actores desportivos, que são tratadas como senhoras de profissão duvidosa, e também aos árbitros, cuja incompetência é amiúde confundida com corrupção.

Como diria a Ti Bli**: «As pessoas têm que se acalmar, imediatamente».

* pessoa que, dominada por uma obsessão ou fúria, pratica disparates;

figurado – pessoa desprezível ou ignorante; figurado – pessoa grosseira, boçal; antiquado – pessoa possuída pelo Demónio; possesso

in Infopedia

** Rúbrica humorística da Rádio Renascença

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