Numa reacção à intervenção feita esta manhã, na Assembleia Municipal, por Gisela Valente, funcionária do Município da Guarda que foi vítima de assédio laboral na autarquia por parte de uma superior hierárquica, o presidente da Câmara, Sérgio Costa, solicitou ao presidente da Mesa daquele órgão autárquico que lhe fosse enviada uma certidão da acta da reunião para que «possa abrir, no mais curto espaço de tempo, um inquérito perante aquilo que foi referido». E não teceu quaisquer considerações sobre a intervenção feita pela funcionária.
A deputada do PS, Diana Santos, ainda chegou a solicitar ao presidente do município que explicasse o que quis dizer quando falou em abrir um inquérito, mas não obteve resposta. O socialista Miguel Borges insistiu no assunto, dizendo que quando o público tem direito a intervir cinco minutos é porque a Assembleia «dá importância aos cidadãos» que vão intervir e, por isso, «é obrigação desta Assembleia fiscalizar aquilo que se passa na Câmara Municipal». «Portanto, senhor presidente, é obrigação da sua parte esclarecer aquilo que foi dito e que foi trazido pelo público antes do período da ordem do dia, senão parece que tem medo de alguma coisa».
Em resposta, Sérgio Costa respondeu que, «perante aquilo que foi dito, onde foram visados o presidente da câmara e os serviços municipais, nada melhor do que pedir à Assembleia a certidão da acta para mandar abrir um inquérito. Ponto final, parágrafo. Custe o que custar, doa a quem doer. É assim que é a transparência, é assim que é a legalidade e a frontalidade das coisas».
De recordar que, como o jornal “Todas as Beiras” noticiou esta manhã, Gisela Valente solicitou aos deputados da Assembleia Municipal que aprovassem «recomendações firmes ao executivo municipal para a instauração imediata do processo disciplinar» à trabalhadora da autarquia, «a constituição de uma comissão de inquérito para apuramento integral dos factos e responsabilidades», «a garantia do cumprimento do princípio da igualdade de tratamento, incluindo o reembolso das despesas judiciais» que teve de suportar, bem como «o apuramento rigoroso das despesas associadas à defesa da trabalhadora condenada».




