Foi publicado hoje em Diário da República o concurso público internacional para as obras de estabilização de taludes na Linha da Beira Baixa, no troço entre Belver, Fratel e Sarnadas de Ródão (nos concelhos de Gavião e Vila Velha de Ródão), pelo preço base de sete milhões de euros. O prazo de apresentação de propostas decorre até 2 de Maio e as obras terão um prazo de 1050 dias.
A Infraestruturas de Portugal (IP) já tinha informado que previa uma paragem longa, possivelmente superior a seis meses, dada a complexidade técnica da reparação junto ao Tejo. Por agora ainda não foi possível apurar se as obras previstas no concurso hoje publicado vão ou não interferir com a reabertura prevista pela IP. O jornal “Todas as Beiras” contactou a IP mas até agora ainda não obteve resposta.
Como é referido no anúncio hoje publicado, a empreitada tem em vista a «estabilização de taludes de escavação e beneficiação do sistema de drenagem», no troço Abrantes – Guarda, entre os quilómetros 26,690 e 79.540.
De recordar que a circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa mantém-se suspensa desde Fevereiro devido ao deslizamento de terras provocado pelas fortes tempestades. Segundo a CP – Comboios de Portugal, apenas se mantêm em funcionamento os serviços regionais entre Castelo Branco e a Guarda e entre o Entroncamento e Abrantes.
Uma situação que preocupa a Associação Move Beiras, que lamenta que «apesar deste troço» que liga as duas cidades da Beira Interior «estar operacional», ficou reduzida «a oferta entre as cidades de Castelo Branco, Fundão e Covilhã para metade e, mais drasticamente, no troço Covilhã – Guarda, onde a oferta passou de 10 comboios diários para 4, inviabilizando que pessoas desse troço se possam deslocar, por exemplo, à Covilhã para consultas médicas pela manhã e regressar à tarde».
No entender da Associação, «sabendo que a reparação da via junto ao Tejo, devido à complexidade do local, poderá demorar várias semanas, não é aceitável que esta população se veja privada de oferta de erviços, num território que já é altamente carente de transportes públicos», salientando que «trata-se de uma questão de coesão territorial, numa região onde a mobilidade é um direito básico ainda por garantir plenamente e a manutenção dos serviços ferroviários desempenha um papel importante no combate às assimetrias regionais». A Move Beiras relembra que a Linha da Beira Baixa ficou fora dos investimentos do Plano Ferroviário Nacional. (Foto: Beira Baixa TV)




