O Conselho de Jurisdição Distrital (CJD) do PSD da Guarda, presidido por Jacinto Dias, decidiu hoje, por unanimidade, anular as eleições para a Comissão Política de Secção da Guarda e Mesa da Assembleia de Secção da Guarda, ocorridas no passado dia 28 de Fevereiro, e ordenar a repetição do acto eleitoral, ainda sem data definida. O CJD entende que, dado tratar-se da repetição daquelas eleições, as listas a sufrágio deverão ser as mesmas e sendo utilizado o mesmo caderno eleitoral. Recorde-se que em confronto estiveram listas apoiadas pelo ainda líder concelhio, Júlio Santos, e por Pedro Nobre.
De acordo com o documento a que o jornal “Todas as Beiras” teve acesso, a deliberação, tomada por unanimidade pelo presidente e por Carla Sequeira e Sandra Monique B. Pereira, teve em conta o facto de ter havido 177 votantes, mas para a eleição da Mesa da Assembleia de Secção apenas se apuraram 175 votos e para a eleição da Comissão Política de Secção foram apurados 179 votos, havendo, assim, um diferença entre os votos apurados e os votantes. Para além disso, a lista “G” para Comissão Política de Secção, liderada por Pedro Nobre, tinha obtido apenas mais um voto do que a lista do ainda líder da concelhia, o que, como refere o CJD, «influiu, claramente, sobre o resultado final».
A deliberação do CJD já terá sido dada a conhecer aos dois candidatos, que poderão vir a recorrer para o Conselho de Jurisdição Nacional, e ao secretário-geral do partido, Hugo Soares. Caso não surja nenhum recurso, será então repetido o acto eleitoral, que poderá ocorrer no dia 30 de Maio, coincidindo com as eleições para o presidente do PSD e para os delegados ao congresso nacional.
Pedro Nobre chegou a ser dado como vencedor e no site nacional do PSD surge como líder da Concelhia
Mesmo estando pendente a decisão sobre o pedido de impugnação das eleições de 28 de Fevereiro apresentado por Júlio Santos, no site oficial do partido nacional, Pedro Nobre e os restantes membros da sua lista surgem, desde há várias semanas, como os novos elementos da Comissão Política de Secção da Guarda.
Como o jornal “Todas as Beiras” noticiou em Fevereiro, para a eleição da comissão política, a lista “B” alcançou 87 votos, enquanto a lista “G” obteve 86 votos. Houve ainda quatro votos brancos e dois nulos, o que totaliza 179 votos (dois a mais relativamente ao número de votantes). Para a Mesa da Assembleia, a lista “B” obteve 86 votos e a lista “G” 82, tendo ainda havido cinco nulos e dois brancos. Neste caso, a soma de votos apenas chega aos 175 (dois a menos). Esta diferença de votos entre os dois órgãos fez com que não fosse possível o registo dos resultados na plataforma electrónica.
Numa reacção a esta situação, Júlio Santos veio dizer, em comunicado, que a eleição para a Comissão Política de Secção da Guarda «revelou a existência de graves irregularidades» e que, «por esse motivo, a Lista G, após recontagem dos votos e de estar evidenciada a existência de boletins a mais, solicitou à Mesa a impugnação do acto eleitoral». «Os estatutos e as regras de uma eleição democrática têm de ser respeitados na sua plenitude», sustenta o social-democrata, acrescentando que «tendo surgido dois boletins que poderiam interferir directamente no resultado, entende-se que a única forma de clarificar um resultado final coerente e consistente com a vontade dos militantes é através da repetição da eleição».
Júlio Santos salientou que «o processo eleitoral tem de estar sustentado na transparência e na verdade» e «a Mesa tem de garantir o cumprimento desses desideratos». «Queremos um resultado que evidencie a vitória expressiva de uma ou de outra lista», afirma o dirigente, que aproveitou para apelar «à compreensão» dos militantes, «ao bom senso da lista adversária» e «à coerência democrática» do presidente da mesa.
Para o adversário de Júlio Santos, o acto eleitoral «foi decidido pela vontade clara dos militantes» e, por isso, devia ser validado, recordando que «a Lista B venceu – para a Mesa por uma margem de quatro votos e para a Comissão Política Concelhia por uma margem de um voto». «Durante o processo, registou-se uma situação que importa esclarecer com frontalidade: a Mesa Eleitoral terá entregado a dois eleitores boletins em duplicado destinados à Comissão Política de Secção, em vez de um boletim para a Mesa e outro para a Comissão Política de Secção. Este erro não é imputável aos militantes, mas sim a quem tinha a responsabilidade de conduzir o acto eleitoral», sustenta Pedro Nobre.
E reafirmou que «na contagem dos votos válidos a Lista B venceu», considerando que «é uma verdade objectiva e matemática». A terminar o comunicado, o candidato refere que «confia nas decisões independentes dos órgãos de jurisdição do Partido. Respeitar os resultados é respeitar os militantes, o PSD, e a democracia».




