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A hipocrisia da verdade desportiva

Finda a época desportiva, ânimos mais serenos e a semanas do arranque de mais um Mundial de favores, é hora de escrever sobre a verdade desportiva que os diversos agentes do futebol tanto gostam de apregoar. As picardias entre rivais, a troca de argumentos, com ou sem fundamento, a infinita discussão de lances polémicos deixo-as para os do costume, a mim, enquanto amante de desporto e ex-praticante, interessa-me o que se passa entre as quatro linhase nas suas imediações.

Ao exemplo dos Óscares, comecemos pelos actores secundários: comentadores, dentro e fora dos estúdios. Suavizar uma falta de desportivismo gritante com “falta necessária” está longe da verdade desportiva. Um jogador que derruba um adversário por este ter sido mais competente não é desportista. 

Imagine-se Usain Bolt, ex-velocista jamaicano multicampeão olímpico e mundial nessa modalidade, a ser empurrado por um adversário antes de chegar à meta. Não dá para imaginar, pois não? Assim deveria ser em todas as modalidades, desportistas a ser desportistas, a assumirem a verdade desportiva. O futebol é, sem dúvida, um mau exemplo de desportivismo.

Nesta categoria enquadram-se ainda apanha-bolas, equipas técnicas e suplentes das equipas, que tantas vezes sofrem de lapsos de memória, esquecendo-se que para marcar um livre ou um lançamento de linha lateral é necessário uma bola, ou são só distraídos, lançado uma bola para dentro de campo com jogadas a decorrer.

Teóricos da conspiração dirão que cumprem ordens. Não dá para imaginar, pois não?

E que dizer dos treinadores que pedem aos seus pupilos para atrasarem lances ou que demorem a sair em caso de substituição, ou substituições a 20 segundos do final do encontro, ou simularem lesões? Vão-me dizer que isso é normal? Claro que é, porque se normalizou este tipo de comportamentos anti-desportivos.

And the Óscar para melhores actores principais goes to… os jogadores, o exemplo perfeito de inverdade desportiva. Não existe um jogo, UM, que não o confirme, inclusive em mundiais, testemunhados por milhões de pessoas. E não só não são exemplo de desportivismo e verdade desportiva como também de falta de educação e respeito, nomeadamente na forma como tratam os árbitros, adversários e adeptos.

Mas que importa tudo isso em caso de vitória? Nada, absolutamente nada, porque o futebol é um “desporto” que tudo revela e releva.

PS) Parabéns ao Sport Clube União Torreensepela vitória na final da Taça de Portugal disputada no Estádio do Jamor, uma autêntica vergonha nacional. Preferiu-se investir na Cidade do Futebol, complexo desportivo para elites com egos inflamados, que num campo que deveria receber muito mais que finais de taça. Um Jamor que nos orgulhe faz falta, mas, pelos vistos, não é necessária.

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