O social-democrata Pedro Nobre, que concorreu em Fevereiro às eleições da Concelhia do PSD da Guarda (que viriam a ser anuladas) e que tinha conseguido mais um voto que o seu adversário, Júlio Santos (actual líder local), explicou esta tarde em conferência de imprensa que a sua lista não vai a votos no próximo Sábado porque uma repetição do sufrágio «não pode transformar-se num novo acto eleitoral encapotado, com novas regras, novos cadernos eleitorais e até novas listas candidatas». «Essa alteração representa uma verdadeira subversão das regras do processo democrático interno», sustenta. Informou que foi apresentado recurso para o Conselho de Jurisdição Nacional, mas dada a ausência de resposta recorreram para o Tribunal Constitucional «para dizer de sua justiça relativamente a todo este processo».
«Os militantes votaram no dia 28 de Fevereiro com um determinado universo eleitoral, com determinadas listas e com regras perfeitamente definidas. Alterar agora o caderno eleitoral significa alterar o próprio corpo eleitoral que participou legitimamente nessas eleições», afirmou Pedro Nobre, que considera que «isso pode criar situações manifestamente injustas e inaceitáveis». Entende que «as regras não podem mudar depois do jogo começar» e «nem podem ser adaptadas em função das circunstâncias ou do tempo decorrido, sobretudo quando esse atraso não é imputável aos militantes nem às candidaturas».
Informou que apresentaram uma impugnação da convocatória do acto eleitoral na Jurisdição Distrital que viria a responder que não tinha competência para decidir, tendo esse pedido sido depois direccionado ao Conselho de Jurisdição Nacional (CJN). Já lá vão três semanas, informou. Dada a ausência de resposta por parte do CJN, recorreram ao Tribunal Constitucional «para dizer de sua justiça relativamente a todo este processo», que «tem muitas falhas desde o seu início». «O que nós queremos é a verdade. Se houver eleições com o mesmo caderno eleitoral e se a nossa lista por acaso perder, perdemos», frisou.
Assegura que, caso o caderno eleitoral fosse o mesmo que serviu de base em Fevereiro, «não hesitaria um segundo» em apresentar novamente a mesma lista, que, salientou «é composta por pessoas muito válidas».
Questionado sobre a quem é que interessa esta luta pelo poder, Pedro Nobre não tem dúvidas de que «é quem está no poder e parece ter algum medo de algo de novo, porque se calhar não estão muito seguros no poder que têm e nos lugares que ocupam».
Recorde-se que no sufrágio de Fevereiro estiveram em confronto duas listas, uma (Lista G) liderada pelo ainda líder concelhio, Júlio Santos, e outra (Lista B) por Pedro Nobre. Por ter havido uma diferença de votos entre o número de votantes e os votos recolhidos, o Conselho de Jurisdição Distrital (CJD), presidido por Jacinto Dias, tinha deliberado que teria de haver novo sufrágio.
Como o jornal “Todas as Beiras” noticiou em Fevereiro, para a eleição da comissão política, a lista “B” alcançou 87 votos, enquanto a lista “G” obteve 86 votos. Houve ainda quatro votos brancos e dois nulos, o que totaliza 179 votos (dois a mais relativamente ao número de votantes). Para a Mesa da Assembleia, a lista “B” obteve 86 votos e a lista “G” 82, tendo ainda havido cinco nulos e dois brancos. Neste caso, a soma de votos apenas chega aos 175 (dois a menos). Para a CJD, o facto de a lista “G” para a Comissão Política de Secção ter obtido apenas mais um voto do que a lista do ainda líder da concelhia «influiu, claramente, sobre o resultado final».




