Segunda-feira, 1 Junho, 2026
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PSP da Guarda poderá vir a ocupar as actuais instalações da Caixa Geral de Depósitos

Numa altura em que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a comemorar 150 anos de existência, a sede da agência da Guarda, situada na Rua Marquês de Pombal, vai ser transferida, antes do final deste ano, para o antigo edifício, situado no gaveto do Largo da Misericórdia e Rua Comércio, onde chegou a funcionar, até Junho de 2018, uma das dependências desta entidade bancária. A confirmação foi dada ao jornal “Todas as Beiras” pela administração da CGD, que adiantou que essa mudança ocorrerá após concluídas as obras que vão começar proximamente. O actual edifício será depois «posto à venda», o que poderá ser uma alternativa para a instalação da PSP. Uma possibilidade que «está actualmente a ser acompanhada, com vista a uma avaliação e futura decisão», adiantou ao jornal “Todas as Beiras” o Ministério da Administração Interna.

A agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) da Guarda vai abandonar, antes do final deste ano, as actuais instalações, na Rua Marquês de Pombal, situadas próximas do Tribunal, e será transferida para o antigo edifício, situado no gaveto do Largo da Misericórdia e da Rua Comércio, onde chegou a funcionar, até Junho de 2018, uma das dependências desta entidade bancária. A informação foi confirmada pela administração da CGD ao jornal “Todas as Beiras”, tendo adiantado que essa mudança se concretizará «após conclusão das obras que se vão iniciar proximamente». O edifício que é actualmente ocupado pela agência será depois «posto à venda», informou ainda a administração. Esta mudança ocorrerá numa altura em que aquela entidade bancária está a comemorar 150 anos de existência.

O edifício actualmente ocupado pela CGD e que será «posto à venda», como informou a administração do banco ao jornal “Todas as Beiras”, poderá ser uma alternativa para a instalação da PSP. Durante a visita do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à Guarda, para proceder à inauguração da sede da UEPS (Unidade Especial de Protecção e Socorro), foi abordada a questão das instalações da PSP da Guarda, que há anos aguardam por uma solução, dado que as actuais não correspondem às necessidades. O tema foi, aliás, referido pelo presidente da Câmara, Sérgio Costa, no discurso que fez naquela sessão inaugural, sem especificar qualquer local alternativo.

Questionado pelo jornal “Todas as Beiras” no final da Assembleia Jovem, no passado dia 9, se tinha havido uma visita ao edifício da CGD no dia em que foi inaugurada a sede da UEPS, o autarca limitou-se a responder, irritado, que «não», sem adiantar mais nada. Uma resposta que foi dada ainda antes de ser concluída a pergunta.

Com o intuito de obter mais informações sobre este assunto, o jornal “Todas as Beiras” solicitou ao Ministério da Administração Interna se confirmava que chegou a ser feita uma visita ao edifício das actuais instalações da agência da CGD, tendo o MAI respondido, por intermédio da assessoria de imprensa, que «atendendo à necessidade de encontrar uma solução adequada e condigna para as futuras instalações para a PSP na cidade da Guarda, a referida possibilidade está actualmente a ser acompanhada, com vista a uma avaliação e futura decisão». Se foi feita ou não essa visita naquele dia nada foi adiantado, mas informou que «o tema em causa e a possibilidade referida foram sinalizados ao Ministro da Administração Interna durante a visita efectuada à Guarda, no âmbito da inauguração da sede da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS), e abordados pelo senhor presidente da Câmara Municipal da Guarda, na reunião com o secretário de Estado da Administração Interna, a 15 de Janeiro de 2026».

Edifício da futura sede da CGD já foi filial do BNU e naquele terreno existiu o “Bazar do Povo”

No gaveto com o Largo da Misericórdia, instalada no edifício pertencente a Francisco Pinto Balsemão, onde se fixou o BNU e depois chegou a estar uma dependência da CGD, encontrava-se uma das principais casas comerciais da Guarda, o “Bazar do Povo”

O edifício, localizado no gaveto do Largo João de Deus, em frente à Igreja da Misericórdia, e Rua do Comércio, na Guarda, que será novamente ocupado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), vai brevemente sofrer obras de requalificação, estando previsto, ao que apurou o jornal “Todas as Beiras”, um elevador para facilitar o acesso aos pisos superiores.

De recordar que aquele edifício já tinha sido uma filial do Banco Nacional Ultramarino (BNU) e na sequência da fusão e transferência global do património do BNU para a CGD, ocorrida em Junho de 2001, passou a ser uma agência da CGD, mas por poucos anos. O balcão bancário viria a encerrar na última Sexta-feira de Junho de 2018.

No gaveto com o Largo da Misericórdia, instalada no edifício pertencente a Francisco Pinto Balsemão, onde se fixou o BNU e depois chegou a estar uma dependência da CGD, encontrava-se uma das principais casas comerciais da Guarda, o “Bazar do Povo”, de Eduardo da Cruz Melo – o “Barbichas”. No início da década de vinte, Francisco Pinto Balsemão acabou por vender o edifício, para surgir a instalação da filial do BNU.

Criado em 1864 como Banco Emissor para as ex-colónias portuguesas, o BNU exerceu também funções de Banco do Fomento e Comércio no país e no estrangeiro, como é referido no site da CGD, que adianta que, a partir de 1974, aquela entidade bancária «sofreu uma profunda reestruturação e passou a direcionar a sua actividade por critérios de natureza comercial, quer no espaço nacional quer internacional».

O BNU foi depois nacionalizado por decreto, em Setembro de 1974, e, em Julho de 1988, foi transformado em sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos. Na sequência dessa transformação passou a ter como accionista maioritário a CGD, que passou a deter 99% do capital social, pertencendo o restante ao Estado português. Em 23 Junho 2001, deu-se a fusão por incorporação, mediante a transferência global do património do BNU para a CGD. Na sequência desta fusão, o edifício localizado no gaveto do Largo João de Deus, em frente à Igreja da Misericórdia, e Rua do Comércio, na Guarda, passou a ser uma agência daquele banco até 30 de Junho de 2018.

Filial da CGD na Guarda começou por ocupar a capela do antigo Paço Episcopal e seminário

Edifício projectado pelo arquitecto Luís Cristina da Silva,sendo a sua localização «discreta, mas a torre do relógio numa esquina, tal como em Leiria, conferiu monumentalidade ao conjunto»

Inicialmente, a filial da CGD na Guarda ocupou, a partir de 4 de Maio de 1921, a Capela do Antigo Paço Episcopal e Seminário. Como é referido no site da instituição, «a 27 de Maio de 1920 o director de Finanças alerta o administrador da CGD, sabendo de antemão que era intenção da Caixa estabelecer filiais em todas as sedes de distritos, para a existência de um edifício que poderia servir esse intento no que concerne à instalação da filial da CGD na Guarda», adiantando que «esse edifício estaria sob a administração da Comissão Central de Execução da Lei de Separação do Estado da Igreja».

A Administração da Caixa viria então a iniciar o processo para a sua aquisição, tendo, em Julho de 1920, sob proposta do Ministério da Justiça e dos Cultos, sido publicado «o decreto de cedência a título definitivo (por seis mil escudos), à Caixa Geral de Depósitos, o edifício da capela do antigo Paço Episcopal e Seminário da Guarda, para instalação da sua filial, tendo sido incluído nesta cedência uma parte do terreno anexo à fachada posterior da capela». Depois de feitas as devidas obras de adaptação, a filial da Guarda era inaugurada a 4 de Maio de 1921.

Passados uns anos, por volta de 1936, a administração da Caixa encetou esforços para construir um edifício próprio. O projecto foi elaborado pelo arquitecto Luís Cristina da Silva, «a empreitada foi adjudicada a José Alves dos Reis, sócio da firma José Alves dos Reis & Cª, pela quantia de 837.000$00 e o contrato para o efeito assinado a 27 de Julho de 1939». As novas instalações foram inauguradas a 10 de Agosto de 1942. Como salienta o site da CGD, é um dos mais conhecidos edifícios do banco, actualmente ocupado pela repartição, e é «uma das obras de referência no trajecto» do autor, sendo a sua localização «discreta, mas a torre do relógio numa esquina, tal como em Leiria, conferiu monumentalidade ao conjunto». «A esfera armilar a culminar o imóvel e os elementos barrocos das portas aproximavam este edifício das correntes tradicionalistas que irão ser dominantes durante as décadas seguintes», pode ler-se ainda na página oficial do banco.

No site da CGD é referido que, «durante cerca de 30 anos, este edifício satisfez as necessidades a que os serviços obrigavam, no entanto, nos anos 70 voltou-se a pensar numa nova construção, desta vez, mais arrojada para responder aos novos desafios que se avizinhavam para as novas décadas». «A Caixa adquire, assim, novas instalações, cuja área rondava os 2.100 m2, por escritura celebrada em 31 de Janeiro de 1979» e «em Novembro de 1988 foi adjudicada a construção do novo edifício cujas obras se iniciaram ainda em Dezembro do mesmo ano», tendo sido concluídas no final de 1990. A nova sede foi erguida numa zona de expansão da cidade que, já na altura, se constituía como novo centro polarizador, onde já se encontravam edifícios públicos de relevo, entre os quais, o Tribunal, a Segurança Social, o Banco de Portugal (hoje agência de uma entidade bancária) e a Câmara Municipal. O edifício, projectado por Raul Chorão Ramalho, «onde o granito impera e as preocupações com a funcionalidade foram evidentes», foi inaugurado no dia 24 de Junho de 1991 pelo então gerente da agência, Amândio Fernandes, e pelo presidente da CGD, Rui Vilar.

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