Segunda-feira, 1 Junho, 2026
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Um dia por ano?

Mas as crianças, Senhor,

porque lhes dais tanta dor?!…

Porque padecem assim?!…

As palavras de Augusto Gil, poeta considerado nosso, da Guarda, escritas lá longe, em 1909, na sua Balada da Neve, continuam hoje a bater em nós como se fôssemos atingidos por um soco penetrante.

E não! Não é apenas porque a imagem bucólica de uma criança a deixar os seus pezitos, (ao caminhar descalça) marcados na branca e fria neve, nos atinja pela dor (que o poeta nos consegue transmitir) vivida por aquele ser inocente, mas pelo que estes versos hoje significam para milhares de crianças pelo mundo fora.

Recordo os versos quando hoje assisto à felicidade das crianças que celebram o Dia Mundial da Criança recreando-se em atividades que lhes são especialmente dedicadas nesta data.

Augusto Gil, que tão bem retratou o sofrimento dos petizes, morreria 4 anos depois de em Genebra se ter proclamado o Dia Internacional da Criança, durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança.

A certeza que temos é que, 101 anos depois dessa data, as palavras do poeta ganham uma dimensão maior face ao que assistimos, num mundo onde cada vez mais crianças caminham descalças. Um caminhar descalço que é também sinónimo de se verem privadas de um lar, de morrerem à fome, não terem acesso à educação, ou simplesmente verem-se abandonados numa qualquer estrada, ou no cimo de uma serra.

A hipoteca do futuro está aqui, nestas palavras do poeta, que nos lembram que quem mais sofre são os inocentes que não pediram para nascer, mas vieram alegrar o mundo e deixar que esperança não seja uma palavra vã.

Uma esperança que outra voz maior da nossa língua retratou nestes versos:

Grande é a poesia, a bondade e as danças…

Mas o melhor do mundo são as crianças (…)

Saibamos preservar o melhor todos os dias.

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