O “Lãnd Wool Innovation Week” regressa a partir de Sexta-feira e até Domingo a Manteigas, focado na “Fricção” comunitária e territorial. O evento, promovido pelo Município de Manteigas e pela Rede de Aldeias de Montanhas, «explora a transformação da lã, a economia das aldeias do século XXI e celebra as tradições pastoris com a 4.ª etapa da Grande Rota da Transumância».
Sob o mote inspirador da “Fricção”, esta nova edição do “Lãnd Wool” «transforma o território num laboratório vivo de reflexão, design, inovação e reconexão identitária, demonstrando que a lã é um recurso estratégico e cultural essencial para o futuro sustentável dos Territórios de Montanha», refere a organização, que salienta que, «após uma bem-sucedida primeira sessão realizada em Maio, este segundo momento do Lãnd aprofunda as dinâmicas de contacto e cocriação».
Em comunicado enviado ao jornal “Todas as Beiras”, a organização informa que «o tema central, “Fricção”, inspira-se no próprio fenómeno físico da lã, onde a fricção cria a sua força». Adianta que, «como metáfora social e económica, o projecto promove o encontro entre realidades divergentes, o diálogo intergeracional e a união de saberes ancestrais com design contemporâneo».
O programa inicia-se com a mesa-redonda “Territórios e Fricção”, um espaço de debate que conta com a participação do autarca de Manteigas, Flávio Massano, de Marta Vicente (Centro Ciência Viva) e de Sara Lamúrias (curadora do Lãnd e professora na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa). Logo após este debate, o painel estende-se ao lançamento e discussão do livro “Uma nova economia para a aldeia do séc. XXI”, da autoria de Ana Bijoias Mendonça, investigadora do Societies and Environmental Sustainability Research Group (CFE/Universidade de Coimbra) e por Jaime Izquierdo Vallina, especialista espanhol que exerceu funções como assessor ministerial e Comissário para o Desafio Demográfico no Governo das Astúrias.
A organização realça que um dos pontos altos da programação será a apresentação pública, na Sexta-feira, dos resultados das Residências Artísticas e Comunitárias. Sob a coordenação artística de Susana António, a residência com a comunidade sénior resultou na instalação artística “Rota dos Comerciantes”. Paralelamente, no mesmo dia, a comunidade escolar de Manteigas, sob a direcção de Susana Venâncio, apresentará uma instalação focada na ligação táctil à lã e no desenvolvimento de uma consciência ecológica e de pertença comum entre as crianças.
No âmbito da “Fricção Produtiva”, serão apresentadas, no Sábado, as peças desenvolvidas nas residências criativas por diversos dos designers, como Gonçalo Prudêncio, Miguel Vieira Baptista, Raquel Castro e Maria Bruno Neo. «Estas criações foram concebidas em estreita parceria com as duas fábricas de Manteigas, a Ecolã e a Burel Factory, com o propósito de habitar e valorizar a Casa Lãnd (antiga Casa do Povo), devolvendo o valor do design e da manufatura à própria comunidade local», explica a organização.
O encerramento do evento, no Domingo, será dedicado às tradições pastoris, iniciando-se a jornada pela madrugada na Cruz das Jugadas, com a 4.ª Etapa da Grande Rota da Transumância, que aproveita a jornada diária de um pastor e rebanhos que sobem a serra para os pastos de altitude. A manhã prossegue com uma missa de homenagem aos pastores da Serra da Estrela, seguida pelo tradicional “Almoço do Pastor” e por uma experiência em 3D sobre as transumâncias do mundo no Parque Ambiental da Fábrica do Rio. A tarde artística e sonora conta com a participação da “Sinfonia Mêêê em Bemol Maior”, uma odisseia sonora que mergulha no universo pastoril, culminando na conversa de reflexão “O Balido como Elemento de Sustentabilidade da Paisagem”, dinamizada por Nuno Afonso do Laboratório Rural.




