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Choque frontal de dois comboios em Alcafache ocorreu há 41 anos

Faz hoje 41 anos que ocorreu, em Alcafache, no concelho de Mangualde, o maior acidente ferroviário do país. Foi às 18h37 do dia 11 de Setembro de 1985 que o comboio internacional 315 e o regional 1324 chocaram com estrondo e violência, descarrilando ao longo de dezenas de metros num espaço florestal. Oficialmente, morreram 37 pessoas e mais de 170 ficaram feridas, mas o número exacto de mortos permanece uma incógnita.

Junto ao local onde foram depositados numa vala comum muitos restos mortais viria a ser construído um memorial de homenagem às vítimas. Este ano, a cerimónia de homenagem está agendada para o próximo Domingo. De acordo com o programa, pelas 10h30 começarão as intervenções do presidente da Junta de Freguesia de Espinho, Bruno Pinto, do presidente da União de Freguesias de Moimenta de Maceira Dão e Lobelhe do Mato, Nuno Paiva, e da Comissão Organizadora do Movimento do Acidente Ferroviário de Alcafache (COMAFA), com José Sá.

Seguir-se-á o testemunho do comendador Carlos Ramos, sobrevivente do acidente, e uma intervenção do autarca de Mangualde, Marco Almeida. Às 11h30, realiza-se uma missa campal em memória das vítimas. A cerimónia termina às 12h30, com o hino dos Bombeiros Portugueses e o hino Nacional.

Uma amálgama de ferros torcidos, carruagens envoltas em chamas

Os bombeiros que participaram na operação de salvamento e o director deste jornal, que também esteve no local, depararam-se com um cenário de absoluto horror. Uma amálgama de ferros torcidos, carruagens envoltas em chamas. Muitos corpos ficaram carbonizados e nunca foram identificados. As estimativas feitas na altura por jornais, observadores oculares e outras fontes variavam entre 40 e 200 mortos.

O acidente próximo do apeadeiro Moimenta-Alcafache ficou a dever-se a erro humano, mas o tribunal viria a absolver todos os acusados por inexistência de provas que pudesse levar à condenação.

A Linha da Beira Alta, por onde circulavam ambos os comboios, era uma via única, um factor que aumentava os riscos de acidentes. Naquela época, a coordenação dos comboios dependia de comunicações manuais via telefone entre as estações, o que resultava numa margem significativa para erros. No dia da tragédia, um erro de comunicação entre os operadores das estações permitiu que os dois comboios se deslocassem na mesma linha, sem que um aguardasse a passagem do outro. A falha de comunicação entre as estações foi apontada como a principal causa do acidente, expondo a fragilidade de um sistema de controle antiquado e dependente de operadores humanos.

O comboio regional deveria ficar na estação de Mangualde até fazer o cruzamento com o internacional. Contudo, «não obstante o facto de se terem dado ordens para que a prioridade na circulação fosse atribuída ao serviço internacional, o regional continuou viagem, estimando que o atraso na marcha da outra composição fosse suficiente para chegar à estação de Nelas, onde se poderia fazer o cruzamento». O internacional viajava com 18 minutos de atraso. O choque deu-se pelas 18.37 horas, a uma velocidade aproximada de 100 km/h.

O comboio internacional transportava «mais de 400 emigrantes» dos distritos de Viseu, Coimbra, Aveiro, Viana, Braga e Vila Real, que regressavam ao seu país de acolhimento depois de férias em Portugal. O número exacto de vítimas do acidente nunca foi apurado.

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