Há 25 anos, as Torres Gémeas, do World Trade Center (WTC), em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA), foram alvo de atentados terroristas . Dois aviões colidiram com as duas torres do emblemático edifício americano. O primeiro atingiu, às 8h46 (13h46 em Portugal continental) a torre norte e o segundo embateu, às 9h03 (14h03 em Portugal continental), contra a torre sul. Os ataques da Al-Qaeda no dia 11 de Setembro de 2001 mataram quase três mil pessoas, das quais nove de origem portuguesa e uma delas do concelho de Seia: António Augusto Tomé Rocha.
Durante alguns dias, após a queda das torres gémeas, os familiares e a população de Vila Verde, na altura pertencente a freguesia de Tourais (actual União de Freguesias de Tourais e Lajes), viveram momentos de angústia e de incerteza, que viriam a ser depois invadidos por uma profunda tristeza ao terem a confirmação que um dos filhos da terra, António Rocha, era uma das vítimas dos atentados.
Dos nove portugueses mortos nos atentados, em Nova Iorque, uns trabalhavam no WTC, outros estavam «no sítio errado à hora errada» e quase todos perderam a vida a ajudar outras pessoas. António Augusto Tomé Rocha, natural de Vila Verde, uma aldeia do concelho de Seia marcada fortemente pela emigração para os EUA, faz parte da lista das vítimas. O senense, na altura com 34 anos, integrava a equipa da “Cantor Ftzgerald Securities”, empresa que ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte, a primeira a ser atingida.
Casado e pai de duas crianças, o português trabalhava no piso 105 e já estava no escritório quando o avião chocou com o edifício. Ainda conseguiu telefonar para a mulher Marilyn: «Um avião bateu contra o World Trade Center, há fogo, muito fumo, mas não te assustes». A mulher não compreendeu as últimas palavras e deixou de o ouvir. O corpo de António Rocha chegou a ser o primeiro dos portugueses dados como desaparecidos a ser resgatado dos escombros.
A notícia da sua morte foi recebida com consternação na pequena aldeia natal. Um desfecho que só veio confirmar o que o seu tio, José Correia Tomé, residente em Seia, já temia. «Estava a ver a televisão, quando deram as imagens do atentado no World Trade Center e vi logo que se passara o pior com o meu sobrinho. É que ele começava a trabalhar às sete da manhã», contou ao director do jornal ”Todas as Beiras” (TB) (na altura colaborador do jornal Público) José Correia Tomé, profundamente consternado. «Fiquei logo chocado e pressenti o pior, porque o avião bateu precisamente no mesmo lugar onde ele trabalhava».
Emigrante nos EUA durante 24 anos, tendo regressado definitivamente a Portugal há já algum tempo, José Correia Tomé acrescentou, nas declarações prestadas ao jornalista do TB, cinco dias após os atentados, que conhecia perfeitamente o WTC: «Gostava de subir ao edifício para ver a paisagem e a estátua da Liberdade».
De início, temeu ainda que também tivesse acontecido alguma coisa à sua filha mais nova, que trabalhava no edifício ao lado do WTC, mas os receios desvaneceram-se quando, «passadas umas dez ou onze horas», lhe telefonou. Permaneceram as incertezas quanto ao paradeiro de António Rocha. Poucos dias depois, a filha de José Correia Tomé voltou a telefonar-lhe, informando-o de que tinha aparecido o corpo e que se encontrava já na morgue.
Jornalista português que trabalha nos EUA recorda que soube do desaparecimento de António Rocha
Henrique Mano, que foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegar à baixa de Manhattan, em Nova Iorque, logo no dia seguinte à queda das Torres Gémeas do WTC, recordou recentemente, em entrevista à Lusa, o «grande estado de choque» que se instalou na cidade e o trabalho jornalístico que desenvolveu junto da comunidade portuguesa. «Durante essas entrevistas, soube que estava [desaparecido] um rapaz português que trabalhava para a Cantor Fitzgerald, uma empresa financeira que perdeu quase 700 funcionários nesse dia», contou. «Era o António Rocha. Os pais viviam em Manhattan, ele já se tinha mudado para Nova Jérsia (…) e estava desaparecido. Ninguém sabia se tinha morrido, se não tinha. Portanto, foi o que nos levou a pensar no jornal: sendo que a maior parte das vítimas vivia em Nova Jérsia, era muito possível que existissem outras [vítimas portuguesas]. E realmente existiam», observou o editor.
Henrique Mano e a restante equipa do jornal Luso-Americano auxiliaram na identificação das nove vítimas portuguesas e luso-descendentes dos atentados, ajudando a compor uma lista oficial que até hoje é usada pelas autoridades portuguesas e norte-americanas. Oito vítimas portuguesas foram identificadas nos dias a seguir ao atentado. Um ano depois dos ataques viria a ser apurado o nome de um lusodescendente de Massachusetts. Todas as vítimas são do sexo masculino: João Aguiar Jr., Carlos da Costa, Dennis Gomes, Mark Jardim, Christopher Mello, Manuel da Mota, António Rocha, Raymond Rocha e António Rodrigues. O jornalista Henrique Mano disse à Lusa que acredita que possa existir uma 10.º vítima portuguesa: uma mulher, cujo apelido de solteira é Barbosa e de casada é Costa.
Minutos de silêncio e leitura dos nomes dos que morreram vão marcar o 25º aniversário dos ataques terroristas
Milhares de pessoas deverão reunir-se em Nova York, Washington e Shanksville (Pensilvânia), nos Estados Unidos da América (EUA) nesta Sexta-feira para marcar o 25º aniversário dos ataques executados pela organização jihadista al-Qaeda que mataram quase três mil pessoas. Foi no dia 11 de Setembro de 2001 que dois aviões desviados colidiram contra as duas torres do World Trade Center (WTC) em Nova Iorque, um terceiro atingiu o Pentágono e um quarto, que poderia ter como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, viria as despenhar-se numa zona arborizada de Shanksville, na Pensilvânia, após um motim dos passageiros contra os terroristas.
Seis momentos de silêncio integram a cerimónia para marcar o instante em que as torres foram atingidas por aviões de passageiros, quando elas caíram e os momentos do ataque ao Pentágono e a queda do voo 93 da United Airlines. Um minuto de silêncio será observado às 8h46 (no horário da costa leste dos EUA e às 13h46 em Portugal continental), momento em que o voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do WTC. Um segundo minuto de silêncio ocorrerá às 9h03 (14h03 em Portugal continental), quando o voo 175 da United Airlines atingiu a torre sul. Haverá ainda outros momentos de silêncio a marcar o impacto do voo 77 da American Airlines contra o Pentágono, às 9h37 (14h37 em Portugal); o desabamento da torre sul, às 9h59 (14h59 em Portugal); a queda do voo 93 da United Airlines perto de Shanksville, às 10h03 (15h03 em Portugal); e o desabamento da torre norte, às 10h28 (15h28 em Portugal). Pela primeira vez, um sétimo minuto de silêncio será observado após a leitura dos nomes para homenagear aqueles que morreram devido a doenças relacionadas ao 11 de Setembro.
Em Nova York, familiares das vítimas se reunirão na praça do Memorial Nacional do 11 de Setembro para a leitura anual dos nomes daqueles que morreram nos ataques de 11 de Setembro e no atentado a bomba ao World Trade Center em 1993.
ONU lembra 25 anos dos ataques terroristas
Numa mensagem de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirma que o combate ao terrorismo continua sendo uma responsabilidade colectiva e que a ameaça ainda não foi eliminada. O dirigente considera que os ataques foram «uma agressão à própria humanidade» e ceifaram milhares de vidas deixando uma marca indelével no mundo.
Quase três mil pessoas dos Estados Unidos e de mais de 90 países morreram nos atentados de 11 de Setembro. O secretário-geral lembrou ainda os sobreviventes e as equipas de resposta ao expressar a sua solidariedade para com os habitantes da cidade de Nova Iorque e a todos os americanos.




