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Reacções à morte de Emílio Aragonez (cont.)

O jornal “Todas as Beiras” prossegue com a publicação das reacções de amigos e alguns antigos colegas de profissão do jornalista Emílio Aragonez, que faleceu aos 91 anos, estando o funeral agendado para Quarta-feira. Para Luís Bruno Tavares, «há vozes que perduram em nós e se manterão para sempre. A de Emílio Aragonez é uma dessas. Uma das vozes que me continuará a lembrar que o jornalismo distrital deve ser ativo e interventivo». Hélder Sequeira, ex-director da Rádio Altitude, refere que «Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso». Por seu lado, Jorge Esteves, jornalista da Rádio e Televisão de Portugal na Guarda, escreve que «o António Emílio Aragonez, várias vezes homenageado em vida por diferentes instituições, e uma delas por pares de diferentes órgãos de comunicação social (onde com muito gosto me incluí) deixa a sua forma de defesa do território onde se radicou, em tudo o que a sua voz foi dizendo, na sua/nossa Rádio Altitude!…».

Luís Bruno Tavares

«Conheci primeiro a voz de Emílio Aragonez do que o homem. A Rádio Altitude, com a qual o seu nome se confundia, chegava na onda média à ponta do distrito, em Manteigas e as notícias e reportagens tinham o seu nome.

Depois fui-o conhecendo nas ruas da cidade, antes que as andanças que tive pelos jornais me levassem a cruzar no seu caminho e a conhecer mais de perto a sua forma ímpar de questionar e ir ao fim das coisas.

A sua voz foi sempre a voz daqueles que a não tinham, a voz dos problemas que o distrito vivia e dos quais fazia eco nos programas que fazia.

Há vozes que perduram em nós e se manterão para sempre. A de Emílio Aragonez é uma dessas. Uma das vozes que me continuará a lembrar que o jornalismo distrital deve ser ativo e interventivo.

Essa é a homenagem que lhe devemos prestar.»

Luís Bruno Tavares, colaborador do jornal “Todas as Beiras”

Hélder Sequeira

«A Rádio Altitude é uma emissora associada a muitas vozes e rostos, a sonhos, diferenciados contributos, afetos e ideias. Emílio Aragonez (com quem trabalhei largos anos) é uma grata referência no historial desta estação.
Emílio Aragonez foi, durante décadas, uma das vozes mais populares das emissões radiofónicas feitas, em onda média, a partir da cidade mais alta de Portugal.
Pessoa de improviso fácil, e anotações rápidas, Emílio Aragonez assegurava os diretos da rádio de uma forma atrativa, suscitando o interesse informativo, curiosidade e audição atenta.
A Rádio foi, sem reservas, uma grande afeição da sua vida, feita de trabalhos, desencontros, incompreensões silêncios, amarguras e felicidade; vida simultaneamente enraizada em convicções e em princípios, passando ao lado, de eventuais críticas ou atitudes injustificadas.
Ao longo de décadas deu voz à notícia, trouxe à luz da ribalta questões tantas vezes ignoradas; desencadeou o confronto de opiniões, denunciou injustiças, foi porta-voz de múltiplas aspirações de terras e gentes.
Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso.
A sua aparência descontraída, porventura mesmo descuidada, reflexo da sua peculiar forma de ser e do desprendimento pelos bens materiais, não raro originava humorísticos episódios, partilhados depois nos círculos de colegas e amigos, os quais facilmente lhe reconhecem mais virtudes do que defeitos.»

Hélder Sequeira, ex-director da Rádio Altitude

Jorge Esteves

«MAIS DO QUE UM NOME, UMA VOZ… DA REGIÃO

Há um grupo restrito de pessoas que conquistaram em vida…
o direito a manter o seu nome ligado eternamente a uma causa, uma região, um país!…
A morte física de cada um desses cidadãos, obriga naturalmente a um parêntesis, que nos transporta para o legado deixado.
O António Emílio Aragonez, várias vezes homenageado em vida por diferentes instituições, e uma delas por pares de diferentes órgãos de comunicação social (onde com muito gosto me incluí) deixa a sua forma de defesa do território onde se radicou, em tudo o que a sua voz foi dizendo, na sua/nossa Rádio Altitude!…
Uma voz colocada pelo bater de um Coração que sente “se bateu” por essa causa!…
O território, essa nova forma de caraterizar a região a que pertencem as nossas terras, essa coisa de que hoje tantos falam, enchendo a boca, necessita de mais vozes assim!…
Que falem com o Coração, que façam mover montanhas em vez de debitarem palavras vazias , repetidas, copiadas de modelos que deixaram de fazer sentido, há muito!…
Escrever isto, é a minha forma de honrar a memória do “nosso Toninho”, para a generalidade, o Sr. Emílio Aragonez.
Paz à sua Alma, Honra à sua/nossa Voz!…»

Jorge Esteves, jornalista da Rádio e Televisão de Portugal na Guarda



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