Pode uma capital de distrito viver sem Ensino Superior?
Numa resposta simples, ainda que ousada e fria (como dizem ser a Guarda), até poderíamos dizer que sim!
Ter Ensino Superior pode não ser, por si só, um motivo de desenvolvimento. Sobretudo
quando as cidades encontram formas de criar riqueza e atratividade, como se fossem um íman gigante potenciador de progresso.
Com a Guarda, aconteceu noutro tempo. Num tempo em que na cidade se formavam apenas professores e educadores de infância, cujas escolas eram o que mais perto se podia ter de Ensino Superior.
Ainda que a presença desses alunos fosse sempre considerada importante, mesmo para o
tecido económico de então, o número daqueles que frequentavam as duas escolas seriam
quase tantos como os que, neste ano, procuraram o Instituto Politécnico da Guarda (IPG) pela primeira vez.
Vir estudar para a Guarda, já então se revestia de uma mais valia para quem aspirava ser
professor ou educador, devido à qualidade das instituições que vinham frequentar e da fama que a cidade albergava pelo que oferecia a quem não se podia atrever a procurar outros destinos de estudo.
Ao contrário desses tempos, a Guarda oferece hoje, através do IPG, uma quantidade de cursos e mestrados a pensar em novos públicos.
Num ano mau em colocações no Ensino Superior, a oferta e a inovação perpetradas pela
instituição de Ensino Superior da Guarda, não conseguiram evitar, por si só, que mais de
metade das vagas a concurso ficassem desertas.
Sonhar com a possibilidade de todos os alunos do distrito poderem procurar o IPG é irreal. A instituição não pode oferecer todos os cursos pretendidos, nem obrigar a que quem reside no distrito ali estude.
Olhando à crueza dos números, apenas se pode pedir que a cidade se una em torno da sua
Instituição de Ensino Superior. E essa é uma discussão que cabe bem neste tempo eleitoral.
Tudo porque com Ensino Superior uma capital de Distrito pode viver melhor e alcançar um
patamar de desenvolvimento que não a deixe ficar moribunda.
P.S.- Apesar de politicamente me ter agora desligado de Manteigas, não resisti à tentação de ouvir os debates, ora a dois, ora a cinco, dos candidatos à cadeira maior do meu concelho.
Como disse Galileu: “E pur si muove”.




