No âmbito das comemorações dos 150 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses (AHBVE), decorreu esta manhã a plantação de 150 árvores, num terreno próximo do quartel. Como explica a AHBVE, «esta acção simbólica contempla a plantação de uma árvore por cada ano de vida da Instituição e do seu Corpo de Bombeiros, constituindo um gesto de profundo reconhecimento e gratidão para com as inúmeras gerações de operacionais e dirigentes que, ao longo de século e meio, serviram com abnegação a missão humanitária de protecção e socorro».
«A iniciativa tem como objectivo a criação da futura “Mata dos Bombeiros”, um espaço de memória, homenagem e valorização ambiental, no qual se pretende assegurar, anualmente, a plantação de uma nova árvore por ocasião do aniversário da Associação», adianta a instituição.
Esta iniciativa foi apadrinhada por Ricardo Batoréu, trineto de Gerardo José Batoréu, impulsionador da criação, em 1856, de uma companhia de bombeiros voluntários, actual Associação Humanitária.
«É uma grande honra ver o projecto que o meu trisavô começou e que estas pessoas todas deram continuidade», disse Ricardo Batoréu ao jornal “Todas as Beiras”, adiantando que «é uma óptima ideia a plantação desta mata, que representa a vida e o futuro desta associação» que espera que «continue por muitos bons anos o legado» que o seu trisavô começou.

Surgimento da Associação Humanitária remonta a 1856
No livro “Apontamentos para a História dos Bombeiros Voluntários da Guarda e dos seus Quartéis-Sede”, Álvaro Guerreiro, ex-presidente da direcção da AHBVE, recorda o surgimento da Associação Humanitária, que remonta a 1856, quando, em resposta a um convite de Gerardo José Batoréu, um grupo de distintos cidadãos reuniram na sua casa e decidiram formar uma companhia de bombeiros voluntários com o fim de extinguir qualquer incêndio que se manifestasse na cidade. O autor do livro adianta que o padre José António Rebello viria a ser escolhido para primeiro presidente da direcção instaladora, cargo que apenas desempenhou por três dias, tendo sido substituído por Francisco da Silva Ribeiro, engenheiro e director das Obras Públicas.
Os estatutos da AHBVE foram aprovados pelo governador Civil, em 7 de Abril de 1877, tendo, a 17 de Junho, sido eleitos os elementos que viriam a constituir os órgãos directivos. O primeiro presidente foi Francisco António Patrício.
Em 10 de Fevereiro de 1878, a jovem Associação Humanitária recebia a notícia de que a Câmara Municipal da Guarda tinha deliberado ceder à Associação o edifício denominado Igreja do Mercado, situada nas traseiras das arcadas da “Praça Velha”, que durante os últimos anos serviu de garagem de automóveis. O edifício viria a ser adaptado para arrecadação do carro-bomba comprado, em 1878, com verbas obtidas por subscrição pública. Em 26 de Janeiro de 1879, cerca de dois anos e meio depois da sua fundação, a Associação Humanitária passou a ocupar o primeiro edifício de que era proprietário. Em Agosto de 2003 viria a transferir-se para o actual quartel.





