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“Três tentos” é o título do novo disco do “Ningue Ningue”, projecto formado por César Prata e Maria Isabel Mendonça

“Três tentos” é o título do novo disco do “Ningue Ningue”, projecto formado por César Prata e Maria Isabel Mendonça, que já está à venda. O jornal “Todas as Beiras” já tinha avançado em Outubro do ano passado que estava a ser preparado um novo trabalho, desta vez baseado em canções recolhidas pelo padre António Morais na zona da Serra da Estrela, com especial incidência em Gouveia, Seia, Folgosinho e Cativelos. O tema que dá título ao disco é uma moda de dança recolhida em Cativelos. A dupla já tinha editado os discos “Ningue Ningue” (2020) e “No Paço e no Terreiro” (2022). A apresentação do disco será feita no próximo dia 10 de Maio no programa “A árvore da música”, na Antena 1.

Este novo trabalho, que agora ficou concluído, tem 13 temas tradicionais que foram recolhidos ao longo dos anos pelo padre e que depois cedeu a Maria Isabel Mendonça o acesso ao seu seu acervo musical e aos seus registos, para serem trabalhados, como contou, em Outubro do ano passado, César Prata ao jornal “Todas as Beiras”, adiantando que «é um disco muito ligado ao território. Há canções de trabalho, de malhas por exemplo, outras de janeiras e de Natal».

«O padre Morais tinha tudo, partituras, estudos ecológicos sobre aquilo que era e que não era», informou, explicando que foram depois eles que fizeram «os arranjos para esses temas, introduzindo violinos, guitarras e outras cordas». César Prata salienta que este disco será «um reconhecimento por todo o trabalho, por tudo aquilo que ele tem feito também na Federação de Folclore».

“Cantiga da ceifa”, Não te vás, ó Zé”, “Apanhei a pêra verde”, “Ó Arminda”, “Menina dos Caracóis”, “Cantiga das malhas”, “Senhora dos Verdes”, “Senhora do Coito”, “Cantar ao Menino”, “ Cantar de Janeiras” e “Saloio afandangado”, são os restantes temas do disco.

Ningue Ningue” já tinha editado dois discos

“Ningue Ningue” é um projecto musical de César Prata, em duo com Maria Isabel Mendonça, que se dedica à renovação de antigas canções portuguesas e outras músicas do mundo. O primeiro disco, intitulado “Ningue Ningue”, foi editado em Julho de 2020, com uma tiragem limitada de 300 exemplares. O desenho do disco foi concebido pelos próprios, preconizando uma abordagem ambientalista e culturalista transparecida na estética das fotografias e dos desenhos da aldeia de Maceira (Fornos de Algodres) registados por Maria Isabel Mendonça.

Dois anos e meio depois é lançado o disco “No paço e no terreiro”, que reúne música de compositores anónimos dos séculos XVI e XVII, de César Prata, Maria Isabel Mendonça e tradicional e letras de anónimos dos séculos XIII, XVI e XVII, de Afonso X, Pêro Garcia e D. Dinis.

César Prata fundou e dirigiu diversas associações culturais e trabalhou com inúmeras colectividades no âmbito da recolha do património imaterial. Criou e dirigiu diversos espectáculos e orientou oficinas de formação na área da música: instrumentos tradicionais, cultura popular e informática musical. O seu nome encontra-se ligado a inúmeros discos, quer como compositor, arranjador, criador, intérprete ou técnico dos quais se destacam ”Chuchurumel”, “Assobio”, “Chukas” (encomenda do IGESPAR para o Parque Arqueológico do Vale do Côa), e “Cantos de cego da Galiza e Portugal” (edição de a Central Folque, Santiago de Compostela, 2016).

Por seu lado, Maria Isabel Mendonça é arquitecta e investigadora. Na área da música, criou, dirigiu e executou (violino, piano e/ou voz) em diversos espectáculos. É membro da direção artística do Festival de Piano da Serra da Estrela. Em 2017, fundou o projecto de música de câmara “Re:Flexus Trio” – uma formação constituída também pela clarinetista Ana Sofia Matos e pela violetista Mariana Morais.

No âmbito da música tradicional, interpretou e dirigiu espectáculos com o Rancho Folclórico de Paranhos da Beira (Seia) e a Tuna de Figueiredo (Seia). É observadora do Conselho Técnico Regional da Beira Alta Serrana da Federação do Folclore Português, desde Março de 2023. Integra o projecto “Ningue Ningue”, juntamente com César Prata.

Quem é o padre António Morais?

António José de Oliveira Morais nasceu a 12 de Fevereiro de 1941 na freguesia de Cativelos, concelho de Gouveia, tendo, aos 11 anos, ingressado no seminário do Fundão onde iniciou os estudos conducentes ao sacerdócio. Em 1965 é ordenado sacerdote em Gouveia pelo bispo D. Policarpo da Costa Vaz.

Nesse mesmo ano, inicia funções enquanto professor no Seminário do Fundão e dois anos depois é nomeado pároco para as freguesias de Terrenho e Castanheira, em Trancoso. Em 1971, o seu percurso eclesiástico começa a ser feito em várias freguesias do concelho Gouveia. Para além desta funções, o padre António Morais tornou-se um símbolo da cultura e da vivência tradicional daquela região, lutando pela preservação da identidade e construção de uma memória colectiva.

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