Domingo, 14 Dezembro, 2025
Google search engine
InícioEconomiaNo ano em que há menos novos alunos no Politécnico da Guarda,...

No ano em que há menos novos alunos no Politécnico da Guarda, encerra a loja que vendia trajes académicos e diversos adereços

Menos alunos e consequentemente menos vendas levaram os donos de “A Toga”, localizada junto à Sé Catedral da Guarda, a encerrar a loja no final de Outubro. A justificação foi dada ao JN por Ana Oliveira, funcionária daquele estabelecimento comercial que vendia trajes académicos e todos os adereços para a vida académica (fitas, emblemas, capas, entre outros produtos). Os donos de “A Toga”, que têm lojas em diversas cidades universitárias, como Coimbra, Lisboa, Porto, Vila Real e Viseu, pretendem agora também instalar-se na Covilhã.

Com base nos dados da Direcção-Geral do Ensino Superior, no final das três fases, a taxa de ocupação ficou-se pelos 81,9%, quando o ano passado chegara aos 92,6%. Obtiveram colocação, no total das três fases deste ano, 45.290 alunos.

Dos três mil candidatos que concorreram à terceira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, entraram apenas 800 novos estudantes, acabando por sobrar quase seis mil vagas.

A situação mais preocupante continua a verificar-se no Interior do país e principalmente nos politécnicos, onde a taxa de ocupação se ficou pelos 67,7%, quando o ano passado tinha sido 86,2%. Por exemplo, no Politécnico da Guarda, dos 854 lugares disponíveis inicialmente só foram ocupados até agora 295, isto se os seis alunos que ficaram colocados na terceira fase se matricularam. Nas universidades, a percentagem baixou de 97,4% para 92,8%.

No universo dos politécnicos, há seis com menos de metade das vagas disponibilizadas ocupadas e, entre estes, três têm taxas de ocupação que rondam os 30%, como são os casos de Tomar, Bragança e Guarda, quando no ano anterior a situação era bem mais positiva.

Por exemplo, no caso do Instituto Politécnico da Guarda (IPG), dos 854 lugares disponíveis inicialmente tinham ficado livres para a segunda fase 578, que passaram depois a ser mais 58, correspondendo a um total, de 636 vagas. Na segunda fase foram colocados 117 alunos, tendo restado 547 vagas. Concluída esta terceira fase, só ficaram colocados seis alunos. Contas feitas, até à segunda fase matricularam-se 289 estudantes e, caso os seis que agora foram colocados se matricularem, será um total de 295 novos estudantes, correspondendo a 34,5 por cento de ocupação de vagas iniciais.

A nível nacional, na 3.ª fase, estavam a concurso 3.030 vagas, às quais se somaram 612 vagas libertadas por candidatos colocados e matriculados na fase anterior, mas que voltaram agora a candidatar-se e conseguiram colocação, uma vaga adicional criada por desempates e nove vagas adicionais criadas para candidatos sem classificação final.

A Universidade de Lisboa foi a que recebeu mais novos alunos no presente ano lectivo, com 7.371 colocados, 118 dos quais na 3.ª fase, seguida da Universidade do Porto, onde conseguiram lugar 4.727 estudantes, 37 dos quais na 3.ª fase.

Oito instituições registaram uma taxa de ocupação superior a 99%, mas apenas três ocuparam todas a vagas: a Universidade Nova de Lisboa, com 2.826 colocados, a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com 411 colocados, e a Escola Superior de Enfermagem do Porto, com 258 colocados.

A taxa de ocupação mais baixa regista-se no Instituto Politécnico de Bragança, com apenas 55% das vagas preenchidas, seguido do Instituto Politécnico de Tomar (62,2%) e do Instituto Politécnico de Beja (66,6%).

Politécnicos desdramatizam os números, assumindo que há uma parte substancial de estudantes que ingressa por via de outros regimes

Apesar da redução de 5300 estudantes colocados no concurso nacional de acesso e de um terço das vagas que os institutos politécnicos disponibilizaram terem ficado por preencher neste concurso, estas instituições desdramatizam os números, assumindo que há uma parte substancial de estudantes que ingressa por via de outros regimes. «Nós, naturalmente, estamos preocupados. O que sabemos é que o impacto não será da magnitude da redução dos alunos que ingressam via concurso nacional de acesso», referiu Luís Loures, vice-presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) em declarações ao PÚBLICO, depois de uma reunião, em Outubro, que foi convocada pelo Ministério da Educação para analisar os resultados do concurso nacional de acesso com nove institutos politécnicos que foram mais afectados.

No entender daquele dirigente, a mudança nas regras de conclusão do secundário e de acesso ao superior, que incluem a exigência de ter pelo menos duas provas de ingresso com 9,5 valores, «reduziu muito o número potencial de candidatos».

Para Luis Loures, para os politécnicos serem mais competitivos será também necessário sere alterada a distribuição das vagas. «Se andarmos quatro ou cinco anos para trás, tínhamos cerca de 50% das vagas no concurso nacional de acesso centradas em Lisboa e no Porto», aformou om dirigente ao Públidco, acrescentando que, «actualmente, representam 54% porque as vagas vão crescendo e isto desregula o sistema. Se continuarmos a aumentar o número de vagas no litoral vamos contribuir para asfixiar as instituições do Interior».

Considera ainda que a questão do financiamento também é outros dos factores a ter em conta. «Aquilo que defendemos na reunião é que é preciso haver equidade ao nível do ensino superior. Um aluno, na mesma área científica, pondera mais no sistema universitário do que no politécnico. E isso é muito limitante», diz o responsável.

Artigos Relacionados
- Advertisment -
Google search engine

Artigos mais populares