Um estudo desenvolvido por docentes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) reforça a ligação entre literacia financeira, segurança económica e indicadores de saúde mental, mostrando que «níveis mais baixos de literacia financeira estão associados a maior “stress”, ansiedade e depressão».
Numa nota informativa enviada ao jornal “Todas as Beiras”, a instituição refere que o estudo, realizado por Paula Sarabando, Manuel Reis, Tiago Miguel e Rogério Matias, analisou respostas de 677 adultos, abrangendo diferentes idades, níveis de escolaridade e rendimentos. Foram avaliados os níveis de literacia financeira, os comportamentos financeiros, a satisfação com a condição financeira pessoal e alguns indicadores de bem-estar psicológico dos participantes.
«Os resultados indicam que cerca de metade dos participantes apresenta níveis baixos de literacia financeira – isto é, obtêm valores iguais ou inferiores a 50 pontos (numa escala de 0-100 pontos) num indicador global de literacia financeira», refere o IPV, adiantando que «os resultados alarmantes não se limitam ao domínio dos conhecimentos financeiros, mas estendem-se também à vertente comportamental: mais de metade dos participantes não elabora regularmente um orçamento familiar». Para além do diagnóstico quanto ao nível de literacia financeira dos portugueses, «o estudo evidencia relações relevantes entre finanças pessoais e saúde mental».
O IPV informa ainda que os participantes com maior literacia financeira tendem a apresentar «menores níveis de stress na gestão financeira actual» e «maior percepção de segurança financeira futura». «A satisfação com a condição financeira pessoal surge como um factor central, associada a níveis mais baixos de stress e ansiedade, dois indicadores frequentemente ligados ao bem-estar psicológico», informa ainda o IPV, que acrescenta que, «deste modo, encontra-se uma associação clara entre literacia financeira e saúde mental: mais literacia financeira está associada a níveis mais baixos de stress, ansiedade e depressão».
Segundo os autores, estes resultados mostram que a literacia financeira deve ser encarada como uma competência determinante para o bem-estar dos cidadãos, principalmente em Portugal, um dos países da União Europeia com rendimentos mais baixos.




