A necessidade de reforçar o alojamento estudantil, a construção de dois edifícios, um para os cursos ligados às artes e o outro para a acompanhar o crescimento que o UBIMedical tem tido, são algumas das metas apontadas para os próximos anos pela reitora da Universidade da Beira (UBI), Ana Paula Duarte, durante a sessão solene comemorativa do 40.º aniversário da instituição, na passada Quinta-feira.
Na sessão, a dirigente revelou que a cantina de Santo António, requalificada com verbas próprias da UBI, ainda aguarda o visto do Tribunal de contas e anunciou que no início do próximo ano lectivo vão abrir quatro residências universitárias, que estão a ser requalificadas com o apoio de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas admitiu que serão insuficientes face à procura. É que, salientou, 80 por cento dos alunos são deslocados, havendo, por isso, «a necessidade de reforçar a oferta de alojamento a custos controlados». Uma necessidade foi também evidenciada pelo presidente da Associação Académica da UBI, João Nunes.
Num breve balanço destes 40 anos da instituição, a reitora evidenciou que a UBI «que nunca perdeu a sua identidade», «dinâmica, aberta ao mundo», mas sem esquecer a sua dimensão local, e espera que «os próximos anos sejam de consolidação, mas também de ousadia e irreverência». Na sua opinião, concretizar os objectivos que estão definidos para os próximos anos «é fundamental para o papel que a universidade tem hoje, que é mais abrangente do que nunca». Ana Paula Durante defendeu que a instituição deve crescer, mas em articulação com as empresas, autarquias e as forças vivas do distrito de Castelo Branco.
Aproveitando a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, a reitora não deixou de fazer uma referência ao problema do financiamento, evidenciando que a UBI vive «com o subfinanciamento crónico, com consequências significativas para o funcionamento da instituição», tendo, por isso, apelado a um reforço orçamental que permita modernizar a universidade.
Em resposta, o governante reconheceu existir desigualdades no financiamento da UBI, admitindo que tem sido uma «injustiça» que vem sendo acumulada há vários anos. E explicou que a situação resulta de um histórico em que «as instituições que cresceram, cresceram com os seus próprios recursos», devido à não aplicação consistente da lei de financiamento do Ensino Superior.
Apesar de estar em curso um processo de convergência para corrigir essas diferenças, o ministro admitiu limitações no modelo actual: «A convergência está a acontecer, mas tem sido muito lenta», admitiu, justificando que chegaram à conclusão que «a fórmula de cálculo apresenta falhas». Fernando Alexandre foi claro ao afirmar que, embora haja um esforço de correção até 2027, «os défices que se acumularam durante muitos anos não se corrigem de um ano para o outro». Na sua intervenção, o titular da pasta da Educação realçou a importância de surgirem projectos estratégicos e contratos-programa, devendo ser a próprias instituições a liderar a definição das suas estratégias de desenvolvimento. (Fotos: UBI)





