Manteigas comemorou ontem mais um feriado municipal.
A data, que assinalou a outorga do segundo foral dado à vila, em tal dia em 1514, merece sempre ser comemorada de forma digna por assinalar um facto importante na história do concelho.
Já antes, provavelmente em 1188, D. Sancho I tinha dado à vila documento régio para fundação do concelho onde definia os privilégios, deveres, impostos e regras de administração local para os habitantes.
Muito se caminhou desde então, neste concelho encravado no mais belo vale que a erosão de um glaciar formou há milhares de anos.
Um glaciar que talvez possa ter inspirado os primeiros habitantes daquele vale e moldado a génese dos manteiguenses: homens rijos e tenazes capazes de a tudo resistir para fazerem vingar a sua terra e poderem dizer com orgulho, “Eu venho de onde o gelo rasgou a serra e pariu o Zêzere”.
Seria assim, esse, o dia em que a nossa memória coletiva devia ser espicaçada para nos recordar aqueles que se distinguiram ao longo dos séculos e que saindo da terra (ou nela permanecendo) correm o risco de se apagar no esquecimento, casos de José Rodrigues “O Manteigas”, Manuel Duarte Leitão ou mais recentemente D. Albino Cleto.
Mas um feriado municipal pode ainda servir para que se recordem momentos em que Manteigas se uniu em torno de causas religiosas, sociais, culturais (revolta das águas, o cantar às almas) ou mostrar o lugar que a vila vem tendo na literatura desde que pelo menos Mestre Gil Vicente lhe dedicou umas linhas, Ferreira de Castro a mostrou ao mundo em “A Lã e a Neve” e Lobo Antunes (hoje falecido) a escreveu nas crónicas ou em livros.
A memória alimenta-se em cada dia do conhecimento que nos é transmitido e se dela não cuidarmos, enquanto há quem a transmita, corremos o risco de um dia não entender o que fomos.
Parabéns Manteigas, apesar da tristeza de veres esboroar-se encosta abaixo, um troço da mais bela estrada do mundo, a EN 232.




