O recente anúncio feito pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, de que seria publicado esta Segunda-feira – até às 17h30 de hoje isso ainda não se tinha verificado – o concurso público para a requalificação do Hotel Turismo da Guarda, foi um dos assuntos abordados na reunião de hoje do executivo municipal da Guarda.
O presidente da autarquia, Sérgio Costa, evidenciou que até agora ainda não se concretizou a previsão daquele membro do Governo. «Não podemos dar tiros de pólvora seca que podem não dar em nada», afirmou Sérgio Costa, que relembrou que «é um processo de tal modo enviesado» que, por isso, «devem todos ter muita cautela». O autarca adiantou que já sabia que não seria publicado hoje o lançamento do concurso.
Por seu lado, a vereadora social-democrata Helena Saraiva, que esteve presente na reunião em substituição de João Prata, apresentou «um voto de congratulação por uma solução que foi anunciada nos meios de comunicação social e que irá ser implementada» – a notícia foi avançada pelo jornal “Todas as Beiras” na passada Quinta-feira. «É certo que o Hotel Turismo é um assunto complicado. Houve imensas iniciativas a partir de 2010 pelos diversos governos que estiveram no poder, mas até hoje nunca surgiu a tal solução a contento do interesse da Guarda», lamentou a vereadora, que espera agora que seja «desta vez que surge essa possibilidade e que a curto prazo tudo esteja resolvido».
A este propósito, o vereador do PS, António Monteirinho, lembrou que «este já é o segundo anúncio deste Governo», considerando que «árvore que nasce torta tarde ou nunca se endireita». E espera que esteja enganado em relação às suas expectativas e que «seja aberto o concurso, que surja um vencedor e que as obras possam iniciar-se e que o Hotel seja devolvido aos guardenses e à cidade». António Monteirinho reconheceu que «todos os intervenientes políticos dos últimos anos têm responsabilidade na matéria, porque os governos centrais sempre foram dizendo que era desta vez, que era desta vez, mais ainda não foi até ao dia de hoje»
De recordar que, como o jornal “Todas as Beiras” noticiou, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, tinha anunciado, na passada Quarta-feira, durante a audição na Comisssão da Economia e Coesão Territorial, que seria lançado esta Segunda-feira o concurso público para a requalificação do Hotel Turismo da Guarda, na sequência do despacho de Setembro do ano passado que revogou o contrato de arrendamento com a Enatur, dando, assim, a possibilidade de o Turismo de Portugal (TP), na sua qualidade de proprietário, colocar directamente aquele imóvel no mercado para reabilitação e requalificação, com opção de compra.
O governante admitiu que o processo daquela unidade hoteleira «é um parto difícil de uma gravidez que deve ter pelo menos 16 anos». De recordar que a intervenção que estava prevista para o Hotel Turismo, encerrado desde 2010, vinha na sequência do memorando de entendimento, assinado no dia 24 de Janeiro de 2023, entre o Turismo de Portugal e a Enatur, entidade concessionária das Pousadas de Portugal, que é detida pelo TP e pelo Grupo Pestana Pousadas de Portugal.
Depois de reabilitada, a unidade hoteleira seria integrada na Rede de Pousadas de Portugal. Estava inicialmente previsto que reabrisse ainda em 2025, ano a partir do qual a ENATUR iria pagar ao Turismo de Portugal uma renda mensal de 3.891 euros durante 50 anos, prazo da concessão.
Inaugurado em 1947, o hotel, projectado em 1936 pelo arquitecto Vasco Regaleiro, encerrou em Outubro de 2010 e, em Abril de 2011, foi adquirido pelo Turismo de Portugal à Câmara da Guarda. Aquele unidade hoteleira viria a ser um dos primeiros imóveis colocados a concurso no âmbito do Programa REVIVE. Em Maio de 2018, foi assinado um contrato de concessão para a recuperação e exploração deste imóvel pelo consórcio composto pelas sociedades MRG Property e MRG Construction, mas o projecto não avançou, devido a dificuldades financeiras com que o grupo concessionário se defrontou. Em 2021, viria a ser lançado um novo concurso mas ficou deserto. «Em Janeiro de 2023, na sequência da desafectação [do Hotel] do Revive, foi feito um contrato de arrendamento à Enatur, que em 2023 com tudo celebrado não teve também sucesso», recordou ontem o secretário de Estado.
Por isso, «em Setembro de 2025 foi feito um despacho no sentido de ser revogada essa concessão e chamarmos ao Turismo de Portugal a capacidade de celebrar concurso por arrendamento, com opção de compra no final», adiantou.




