Começo por uma declaração de interesse: sou suspeito quando falo da Estrada Nacional 232 que liga Belmonte a Mangualde passando por Manteigas.
Convivo com ela desde que nasci. A estrada passa-me à porta, pois a casa mãe abre diretamente para o seu asfalto.
Subi-a muitas vezes, de dia, de carro ou bicicleta, em modo allegro e desci-a outras tantas, ou mais, de noite, da mesma forma, em andamento “vivace” num gozo profundo de quem aprendeu a gostar de curvas e estradas sinuosas, por influência do traçado que a EN 232 sempre me mostrou.
Foi no gancho do jardim, em Manteigas, que vi, nos anos 60, passar os primeiros carros de rali, bati palmas e gritei aos ídolos de então.
Não posso por isso ficar indiferente quando a “minha” estrada se encontra ferida de morte pelos deslizamentos de há um mês, até porque ela é uma das principais vias de acesso à vila, apesar de lhe roubarmos quilómetros, encurtando caminho pela estrada florestal de São Sebastião, também encerrada.
Poderá a vila esperar que a sua recuperação seja rápida?
Duvido! Até porque o meu otimismo se lembra do que aconteceu com a Nacional 338 e do tempo necessário a uma intervenção que não tinha a complexidade nem a exigência do que se vive na EN 232.
Como sempre, temo que uma intervenção provisória se vá tornando definitiva e a passagem por Campo Romão até à Cruz das Jugadas fique “ad aeternum” entre estudos e falta de financiamento. E isso é algo que Manteigas não poderá permitir, devendo obrigar a que uma solução técnica surja rápido e as obras comecem no mais curto espaço de tempo.
A única certeza que tenho é que a mítica 232 (a mais bela estrada do mundo) não voltará a ser como dantes no seu traçado.
Que o seu encerramento não seja motivo para não querer visitar Manteigas. Sobretudo nesta Páscoa em que a tradição religiosa tem muito para mostrar.
Boa Páscoa caro leitor.




