Gerardo José Batoréu, principal impulsionador da criação de um corpo de bombeiros na Guarda, foi esta tarde homenageado numa cerimónia promovida pela Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses (AHBV), no âmbito das comemorações dos 150 anos da instituição, à qual se associaram representantes de diversas entidades e também alguns dos familiares. A iniciativa incluiu o descerramento de uma placa evocativa junto ao edifício onde antes existiu a residência do homenageado e na qual, no dia 5 de Agosto de 1876, decorreu uma reunião com um grupo de cidadãos que viria a decidir criar a Companhia de Bombeiros Voluntários da Guarda com o fim de extinguir qualquer incêndio que se manifestasse na cidade. Esse histórico encontro viria a ser recriado esta tarde pelo Grupo Hereditas. No final da cerimónia, foi efectuada uma visita à exposição evocativa da obra artística de Ezequiel Batoréu, natural da Guarda e neto do homenageado, que está patente na Galeria Espaço #4 do Museu da Guarda.
Álvaro Guerreiro, ex-presidente da direcção da AHBVE e autor do livro “Apontamentos para a História dos Bombeiros Voluntários da Guarda e dos seus Quartéis-Sede”, recordou que o padre José António Rebello viria a ser escolhido para primeiro presidente da direcção instaladora, cargo que apenas desempenhou por três dias, tendo sido substituído por Francisco da Silva Ribeiro, engenheiro e director das Obras Públicas.
Gerardo José Batoréu nasceu em 1844, em Alenquer, tendo fixado residência na Guarda, destacando-se como «empresário, jornalista, comissário de polícia, cidadão benemérito e, acima de tudo, como o fundador da “Companhia de Bombeiros Voluntários da Cidade da Guarda” e posteriormente na criação da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egytanienses”», relembra a AHBVE num dos textos acessíveis no site da instituição e através do QR code colocado na placa evocativa em memória de Gerardo José Batoréu.
Como se pode ler nesse texto, o homenageado «esteve ligado à associação durante décadas: em 1898 exercia o cargo de inspector, e perante instabilidade interna, assumiu interinamente o comando em 1 de Agosto de 1898», acrescentando que «na reunião de direcção de 4 de Abril de 1898 foram admitidos como sócios activos Ezequiel Batoréu, António Mendes Bello e Salvador do Nascimento, que viria a ser um dos mais destacados comandantes do Corpo de Bombeiros Voluntários da Guarda».
Os estatutos da AHBVE foram aprovados pelo governador Civil, em 7 de Abril de 1877, tendo, a 17 de Junho, sido eleitos os elementos que viriam a constituir os órgãos directivos. O primeiro presidente foi Francisco António Patrício.
Em 10 de Fevereiro de 1878, a jovem Associação Humanitária recebia a notícia de que a Câmara Municipal da Guarda tinha deliberado ceder à Associação o edifício denominado Igreja do Mercado, situada nas traseiras das arcadas da “Praça Velha”, que durante os últimos anos serviu de garagem de automóveis. O edifício viria a ser adaptado para arrecadação do carro-bomba comprado, em 1878, com verbas obtidas por subscrição pública. Em 26 de Janeiro de 1879, cerca de dois anos e meio depois da sua fundação, a Associação Humanitária passou a ocupar o primeiro edifício de que era proprietário. Em Agosto de 2003 viria a transferir-se para o actual quartel.







