Na sequência da notícia de que o Governo prepara a devolução dos hospitais de Seia, Pombal e Vila do Conde para as misericórdias, à semelhança do que vai acontecer com o de São João da Madeira, cujo acordo de cooperação foi assinado ontem, a Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Seia assegura que não recebeu, até agora, qualquer proposta do Governo ou de outra entidade para reassumir a gestão do Hospital Nossa Senhora da Assunção (HNSA). Também o município refere que desconhece qualquer proposta nesse sentido. De recordar que, o jornal “Todas as Beiras” informou, a notícia da reversão da gestão dos hospitais foi avançada na edição de hoje do jornal “Público”, com base nas declarações prestadas por Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas.
Em comunicado, assinado pelo provedor, Paulo Caetano, a Mesa da SCM senense veio esclarecer que, até agora, «não recebeu qualquer proposta formal de transferência da gestão do Hospital, nem foi contactada pelo Governo ou por qualquer outra entidade pública com esse objectivo».
O provedor recorda que «o Hospital Nossa Senhora da Assunção foi gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Seia até à sua nacionalização, ocorrida em 11 de Novembro de 1975», adiantando que, «após essa data, o terreno e o edifício onde funciona» o HNSA «mantiveram-se propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Seia, sendo a sua utilização objeto de contrato através do qual é paga uma renda pela Unidade Local de Saúde da Guarda.
A Mesa Administrativa esclarece ainda que, «caso venham a ser apresentadas propostas neste âmbito, a Santa Casa da Misericórdia de Seia estará naturalmente disponível para as analisar com sentido de responsabilidade e total abertura institucional, tendo sempre como princípios fundamentais a garantia do reforço da qualidade dos cuidados de saúde prestados à população», a «preservação de todos os serviços actualmente disponibilizados aos utentes», a «salvaguarda dos direitos e da estabilidade dos profissionais envolvidos» e a «defesa da sustentabilidade económica e financeira da Santa Casa da Misericórdia de Seia, não podendo qualquer solução futura colocar em causa a sua missão social nem o equilíbrio da instituição».
Autarca de Seia defende que «qualquer reflexão sobre o futuro do Hospital Nossa Senhora da Assunção deve assentar em dados concretos»
O presidente da Câmara de Seia, Luciano Ribeiro, também já reagiu, esclarecendo num texto publicado na página oficial do município no Facebook, que assegura que não é do conhecimento da autarquia «a existência de qualquer proposta concreta de reversão da gestão do Hospital, nem de qualquer estudo técnico, económico ou assistencial que demonstre, de forma objectiva, que essa alteração representaria uma melhoria para os utentes, para os profissionais de saúde ou para a qualidade dos cuidados prestados à população».
«Entendemos que um tema desta dimensão não pode ser alimentado por especulações ou posições avulsas» e que «qualquer reflexão sobre o futuro do Hospital Nossa Senhora da Assunção deve assentar em dados concretos, numa avaliação rigorosa do interesse público e numa análise transparente dos impactos para o concelho e para toda a região», defende o autarca.
Luciano Ribeiro refere, a terminar o pequeno texto, que a «Câmara Municipal de Seia sempre pautou a sua actuação por uma relação de respeito institucional e de cooperação com a Santa Casa da Misericórdia de Seia, princípio que continuará a orientar a sua intervenção», defendendo que «uma matéria com esta relevância exige também total transparência perante a comunidade, garantindo que qualquer eventual discussão decorra de forma aberta, participada e esclarecida».




